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quinta-feira, 7 de março de 2013

Mulher: Campeã Mundial (de tudo e de todos)

Claro que a tirinha faz uma brincadeira sobre o assunto e nem mesmo revela a verdade sobre o tema relação homem-mulher nas diferentes fases da vida.



Mas "eu fico com a pureza da resposta das crianças...". Oferecer uma bola de presente demonstra todo o interesse ingênuo e apaixonado pela guria. E, no meu ponto de vista, sinaliza o aspecto principal do nosso post: a participação da mulher no esporte.

Essa semana vimos notícias da primeira mulher a participar de testes para NFL (seria um tipo de inclusão reversa?)

Lauren Silberman tentou impressionar os chefões das grandes equipes de futebol americano dos EUA, ciente do regulamento que permite a participação de qualquer pessoa na Liga Profissional.

Ela saiu lesionada da "peneira" sem alcançar seu objetivo mas cravou: "eu poderia ter sido a primeira mulher a entrar na NFL, mas espero não ser a última a tentar".

Muitos questionam o regulamento que abre brecha para presença de mulheres nesse esporte "truculento". Confesso que sou temeroso quanto a isso, tendo em vista o porte físico dos atletas da modalidade e também muito consciente das diferenças físicas já comprovadas entre homens e mulheres. Claro que existem exceções, mas no alto nível as exceções são bem reduzidas. 

Mas falar da força da mulher no esporte também tem um sentido metafórico de grande inspiração. Essa desproporção física entre homens e mulheres, nesse aspecto, parece ter ficado na idade da pedra. Ou nem lá, de acordo com esse registro histórico!
Ou não foi forte a mulher Maria Esther Bueno? Que nas décadas de 50 a 70 atuou com destaque no tênis mundial, ganhando títulos e honrarias que até hoje nenhum atleta brasileiro alcançou nessa modalidade. Foi a melhor do mundo em 1959 e 1960, entrou no Hall da Fama do Tênis como melhor atleta em 1964. Conquistou os 4 Grand Slams num mesmo ano atuando em duplas. Enfim, quando o tênis não era nem mesmo  calçado esportivo no Brasil essa mulher ganhava destaque internacional.
Os Jogos Olímpicos de Londres em 2012 trouxeram uma marca inédita: pela primeira vez todas as delegações contavam com atletas mulheres. 
Mas nem sempre foi assim. Somente nos Jogos Olímpicos de 1932 em Los Angeles que tivemos a primeira mulher brasileira e primeira sul-americana como parte da delegação. 

Será que não foi muito forte a jovem Maria Lenk, com 17 anos ao embarcar num navio cargueiro com mais 66 homens atletas? E de onde saiu a força para quatro anos depois embarcar rumo aos Jogos Olímpicos de Berlim e treinar num tanque improvisado no navio? E apresentar um estilo inovador entre as mulheres, sendo a única a nadar o borboleta... E continuar nadando assim com vigor já idosa.
Uma frase dessa jovem atleta ao encerrar os sua participação nos Jogos Olímpicos de 1932 demonstra a importância do esporte e da presença feminina: "Voltei de Los Angeles convicta da importância do esporte para o desenvolvimento das nações."

Imagino que Maria Lenk teria um sorriso no rosto com a estatística de Londres/2012 e a participação de tantas mulheres nos esportes. Independente de credos, religiões, portes físicos, condições políticas ou partidárias... 
E o que falar das atletas que já passaram aqui pelo blog?

Quem se lembra da força da Danielle Nobile, que mesmo recém acidentada decidiu não se abater e seguir em frente praticando esportes, de que forma fosse!

E ainda da Aline Rocha, campeã da São Silvestre na categoria cadeirante, sem nunca antes ter treinado uma distância tão grande e de ter aceitado participar da prova somente para divulgar ainda mais o esporte paralímpico em sua região!

E o que falar de uma mulher que vai a três Jogos Paralímpicos e conquista 3 medalhas? Assim foi com a Edênia Garcia. Que no início da carreira pegava 4 ônibus pra treinar e sofria com as dificuldades de falta de adaptações. Forte ou não?

Mas quero citar ainda a Thayla Fernanda, uma jovem linda e dedicada que descobriu uma capacidade mesmo diante da maior dificuldade de sua vida. Ela aprendeu (ou reaprendeu) a nadar mesmo com limitações motoras de uma tetraplegia. Hoje ela é independente na piscina e conquistou três medalhas de prata na etapa Sul-Sudeste do Circuito Caixa Loterias!
Na boa? Se fôssemos nos recordar de todas as grandes musas do esporte, ou as "meras"  praticantes de atividade física ainda teríamos muitas histórias... as meninas do voleibol, na praia, Fabíola Molina na natação, a dupla Paula e Hortência no Basquete e outras mulheres "normais" mas surpreendentes nos seus feitos!
Acredito que já estou sendo injusto em citar as que citei e não escrever a relação completa das mulheres que desfilam nas quadras, nos campos, piscinas, pistas, arenas, corridas de rua, academias e estádios...

Muitos dizem por aí que as mulheres vão dominar o mundo... ou já tomaram conta e ainda não nos demos conta. No esporte, não tenho dúvida que em muitos sentidos elas já ocuparam um lugar de muito destaque!

De qualquer modo, tem sido motivo de grande alegria e orgulho acompanhar o desenvolvimento e a inserção da mulher nos ambientes esportivos pelo mundo afora.

Que dominem! Que conquistem! Que encantem!

Estaremos prontos para aplaudir e sorrir...

Obrigado pela beleza e pela força.

Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher!



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Inclusão Reversa na Corrida de Reis

Aconteceu neste fim de semana a 43ª Corrida de Reis, em Brasília! O Evento contou com a participação de quase 12.000 corredores. Apesar da chuva que choveu (o pleonasmo vale pela quantidade de chuva), a linha de largada estava em festa, muitos participantes e muito público... mas muita água.

Mas como cheguei aqui?

Bem, duas semana antes, decidi solicitar minha inscrição na prova. Mas não queria correr,  e sim participar com minha handbike. Tudo bem, handbike não é específica para provas de corrida, deveria ser utilizada em provas de ParaCiclismo. Não custava tentar...

Na verdade as inscrições haviam se encerrado pois não tinham mais vagas. Ainda assim,  enviei uma correspondência eletrônica para a organização do evento com o seguinte pedido:

"Gostaria de participar de um evento tradicional de uma forma prazerosa, mostrando que a deficiência pode ser encarada de uma forma muito natural e que os instrumentos que os deficientes utilizam podem ser utilizados por qualquer um, com grande prazer e benefícios. A isso chamo de inclusão reversa."

Claro que expliquei que eu mesmo não era deficiente e que por esse motivo não iria concorrer à premiação (como se eu tivesse chance!). Apesar da demora na resposta, creio que eles devem ter refletido bastante sobre meu pedido, recebi uma afirmativa da organização faltando apenas 3 dias para a prova.

E lá fui eu buscar meu kit e preparar a handbike. Na entrega do kit começaram as situações engraçadas e inusitadas. O atendente que iria fazer minha inscrição demorou alguns minutos e buscou ajuda para saber se me inscrevia na categoria cadeirante, sendo que eu não sou cadeirante; ou na categoria regular mas para utilizar um implemento da categoria cadeirante. A questão era: quem deveria ser inscrito, a handbike ou eu?

Por fim, fomos inscritos eu e minha handbike na categoria cadeirante, como eu acreditava que deveria ser...

Confesso que no dia quase desisti diante de tanta água, pois estava receoso em pedalar no chão molhado. Mas pouco antes da prova a chuva cessou e foi o suficiente para que eu saísse de casa rumo ao Estádio Mané Garrincha, local da largada. Ledo engano... Estacionei o carro, desci a handbike e enquanto me dirigia à área de aquecimento, a chuva voltou como sempre nesses últimos dias em Brasília. Tudo bem!

Enquanto aquecia, encontrei a campeã da São Silvestre, Aline Rocha. Fiquei muito feliz quando ela confirmou sua participação na prova, pois fui em quem, ao saber que ela estaria em Brasília no dia da Corrida de Reis, dei toda orientação para ela tentar a inscrição. Enfim, iríamos correr juntos.
Acredito que na ansiedade pela corrida eu cheguei um pouco mais cedo. E somente depois de cerca de 20 a 30 minutos que foram chegando outros cadeirantes e atletas da categoria adaptada (nossa largada seria 10 minutos antes da largada geral).

Em meio a todos que chegavam, eu era o cara novo! O atleta desconhecido... Sinceramente estava um tanto quanto desconfortável, com receio inclusive de mexer a perna ou me levantar e as pessoas da categoria adaptada questionarem minha participação. Fundamentalmente, temia não ser aceito! Parece loucura, mas era uma preocupação real: não ser aceito por aqueles que sentem-se rejeitados em diversas situações. 

E assim, eu ficava era quietinho, até mesmo evitando as pessoas. Mas Aline, que ficou perto de mim esse tempo todo, e já era conhecida de muitos por participar dos Circuitos Caixa, rapidamente me apresentava como um "atleta genérico", quebrando qualquer clima que pudesse haver. E no meio dessa galera eu me diverti até o momento da largada.
Quando entramos na área de largada qual foi a minha surpresa ao me deparar com dois atletas do rugby em cadeira de rodas (BSB Quad Rugby), com suas cadeiras de rugby. Para quem não sabe, uma cadeira dessas pode pesar cerca de 15 a 20kg. E seus atletas são, na maioria, tetraplégicos! Coragem pouca hein? Completar 6km e 10km em cadeiras de rugby! Enfim, os caras mostraram que para jogar rubgy tem que ser mesmo casca grossa.

O tempo passava e a concentração e expectativa aumentavam. Enfim, todos perfilados...
E foi dada a largada! Sabe que foi uma decepção. Não sei por qual motivo, a largada da categoria adaptada não é feita com um sinal sonoro como da categoria principal. Um ilustre senhor fez um sinal com o braço... e largamos! Simples assim.

Rapidamente os homens cadeirantes distanciaram-se. Os atletas de rugby ficaram presos na linha de largada, que tinha um desnível. Eu fui acelerando pouco a pouco e logo alcancei as mulheres e alguns homens, mas o pelotão de frente já estava "inalcançável", ou seja, longe mesmo!

O percurso da Corrida de Reis é mais ou menos assim: 600 metros de subida, 100 metros plano, descida, descida, descida, descida... até quase os 6km de prova! E então, subida, até o final.

Creio que a organização da prova nunca fez esse percurso sobre rodas. Na descida, o atleta poderia até deixar na "banguela". Fiz força e alcancei a velocidade de quase 60km/h em alguns trechos. Na subida... bem, na subida não existia a chance de parar de pedalar por um segundo para descansar os braços. Claro que eu não sou altamente treinado e capacitado para fazer força com os braços, mas acredito que um percurso com trechos mais planos ou alternando entre subidas e descidas seria mais desafiador de modo geral. Enfim, minha leiga opinião!

Altamente positivo no percurso dessa prova, assim como de várias outras em Brasília, são os monumentos e a beleza da cidade.
Durante quase toda a prova, estive sozinho. Deixei para trás alguns atletas cadeirantes logo no início. E depois não via mais ninguém. Os outros estavam muito na frente. No entanto, já na subida, e próximo ao Teatro Nacional, comecei a me aproximar de mais um cadeirante. Eu todo empolgado com meu desempenho acelerei e ultrapassei... Mas ele tinha um pneu furado e quase não rodava mais. Só por isso passei na frente dele! Tanto que ainda deu tempo pra tirar uma fotinha!
Logo após a subida da Rodoviária fui ultrapassado pelos líderes da categoria Elite. Quase não deu tempo para tirar a foto. Os irmãos gêmeos voavam para ganhar a prova!
E eu rodava, com muito, mas muito esforço, até enfim alcançar a linha de chegada.

Aqui cabe um comentário que não havia feito ainda, apesar de já ter percebido desde o começo uma grande diferença do olhar dos outros.

Tenho um contato próximo com a galera cadeirante e deficiente desde o ano de 2003. Uma queixa constante de mães, crianças, jovens e adultos, é quanto ao olhar da sociedade para com eles. Diziam que percebiam um olhar de pena que os incomodava!

Senti isso desde o começo. Não considero que seja um absurdo e até mesmo compreendo esses olhares. Mas creio que são olhares causados pelo desconhecimento. Mas que realmente também me incomodavam...

Ao aproximar-me da linha de chegada, um grande público esperava os atletas. Claro que ninguém sequer imaginava que eu não seria deficiente. E minha passagem causava uma grande comoção nas pessoas. Inicialmente aquela situação mexeu comigo, como se eu fosse uma fraude! Mas diante da força que eu fazia e da tremenda dificuldade em completar a prova, tomei aqueles gritos de incentivo e aplausos de reconhecimento para mim, não pela "pena" de ser um provável deficiente, mas pela certeza de estar concluindo um desafio proposto. E pronto! Como deve ser com qualquer um e com todos de nós.
Ao final, completei os 10km em 33 minutos. Fiquei em 4º colocado na categoria cadeirante!

E apesar de já ter concluído outras provas de 10km, 21km correndo, confesso que fui mais desafiado em minha condição física ao pedalar com as mãos. Não foi fácil, ao mesmo tempo que foi muito legal competir com uma handbike. 

E valeu a medalha...
Ah, a Aline Rocha, faturou mais um título e já afirmou que ano que vem volta para defender sua condição de campeã da Corrida de Reis.

Quem sabe eu volto também... Alguém mais anima?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sobre ParaCiclismo... e Inclusão Reversa

Ontem no início da tarde fui surpreendido por várias mensagens nas redes sociais a respeito do falecimento de João Alberto Schwindt Filho, 35 anos de idade e um dos maiores ciclistas paralímpicos do Brasil.

João Schwindt havia sido atropelado aos 14 anos e, em decorrência desse acidente, teve perda de alguns movimentos do seu braço direito. O que não lhe impediu de seguir em frente. O acidente de moto na manhã de ontem em Corumbá - GO, sim...

Esse grande paraciclista representou o Brasil em diversos Mundiais. Conquistou medalhas de ouro e bronze no Parapan de Guadalajara em 2011, além de ter alcançado a 4ª colocação nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012. No último dia 19 de dezembro, foi eleito o melhor atleta brasileiro da modalidade pelo Prêmio Paralímpicos, promovido pelo CPB. E certamente despontava como uma promessa para os próximos anos.

O Comitê Paralímpico Brasileiro, de forma honrosa e com todo respeito ao atleta e seus familiares, decretou luto oficial de três dias.

Esse nosso espaço, humildemente presta uma homenagem e aborda o tema Ciclismo Paralímpico.
O ParaCiclismo teve início na década de 80, quando somente haviam provas para atletas com deficiências visuais. Esses atletas participam de competições nas bicicletas Tandem, com auxílio de um atleta guia, pedalando à frente.
O crescimento acelerado da modalidade fez com que nos Jogos Paralímpicos de Nova Iorque (1984) já participassem, além dos atletas com DV, os atletas amputados e com paralisia cerebral. Desde então foram sendo acrescentadas provas de estrada, classes de competidores de acordo com as deficiências, provas no velódromo (talvez minha única decepção nos Jogos de Londres foi não ter entrado nessa arena) e finalmente  a inclusão das provas de handcycling nos Jogos de Sidney em 2000.

Certamente o maior atleta brasileiro da modalidade foi o santista Rivaldo Gonçalves Martins. Ele foi o primeiro paraciclista representando o país em Jogos Paralímpicos (Barcelo-92),  conquistou o título de campeão mundial na prova de contra-relógio na Bélgica em 1994, além de outras medalhas em Parapanamericanos. Rivaldo é amputado da perna esquerda. Hoje disputa provas de paratriathlon e é membro da CBTri.

Além de Rivaldo e João Schwindt, devemos destacar outros grandes atletas da modalidade como Roberto Carlos Silva e Soelito Ghor, ambos medalhistas em Jogos Parapanamericamos. Nas provas de handcycling não há dúvidas que o maior nome no masculino hoje é o atleta Aranha (já comentamos sobre ele em Brasil: Potência Paralímpica de Inverno) e no feminino a paratleta-revelação em 2011, ao menos na minha opinião, Jady Martins.

Jady, a medalha e eu!
Falo assim da Jady pois a conheci quando recém havia sofrido sua lesão e pudemos trabalhar juntos e conhecer muito do que o esporte paralímpico poderia oferecer.

Sinceramente nunca imaginei que ela se tornaria uma atleta, mas não tenho dúvidas que a vivência em diversas modalidades e tipos de atividades físicas fizeram muito bem a essa paranaense guerreira.
Hoje ela é medalhista de Prata no Parapan de Guadalajara e viaja o mundo competindo e trazendo presentes pra mim (essa vale mais um hein?). E eu sou fã, torcedor e um grande amigo: Vai Jaaaady!!!

Quando ela começou a participar de competições, passei a acompanhar as provas de ParaCiclismo, tendo inclusive presenciado sua primeira participação, aqui em Brasília, no início de 2011.

A última etapa do Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paralímpico 2012 aconteceu novamente em Brasília no dia 24 de novembro. Infelizmente, o evento não teve a cobertura jornalística que merecia. Culpa dos organizadores? Culpa da mídia esportiva brasiliense? Culpa minha que fiquei sabendo e não divulguei?

Enfim... Um público muito reduzido prestigiou o evento e basicamente foi composto por treinadores, integrantes das comissões organizadoras, amigos e familiares dos atletas ou ainda fãs completamente alucinados pelo esporte.

E mesmo diante de tanta diversidade, de ciclistas amputados das pernas, dos braços ou com extrema movimentação involuntária que dificulta de forma essencial a marcha, continuo fascinado pelas handbikes. Os atletas dessa categoria cada vez mais crescem no Brasil e foi realmente emocionante ver uma largada com tantas "bicicletas de mão".
Handbikers perfilados após a prova
Até agora só falei de ParaCiclismo... onde está a Inclusão Reversa?

Bem, meu fascínio pela handbike é tão grande, que adquiri de um amigo do interior de São Paulo a minha própria handbike.

Claro que não um modelo desses de competição, mas o suficiente para me divertir e fazer um excelente treino físico cardiovascular, de força e resistência para membros superiores. Uma handbike simples e eficiente; capaz de chamar a atenção de muitos que passam por mim, a ponto de ouvir diversos comentários do tipo: "Quê isso pai!? Um bicicleta pra deficiente, meu filho...", somado a um olhar de pena (do adulto) e de "inveja" (da criança).

Quem conhece o que penso sobre inclusão reversa também já consegue imaginar minhas próximas linhas.

Por que uma bicicleta que se pedala com as mãos tem que ser uma bicicleta para deficientes? Por que as pessoas não podem aproveitar esse recurso tecnológico e se divertir como fazem hoje com as supostas bicicletas normais? Qual a razão pela qual pessoas que não têm qualquer deficiência não podem, além de se divertir, competir em provas de handbike, independente da categoria que seja criada para isso?

Enfim, parece que ao criarmos uma modalidade esportiva para pessoas que não têm movimentação nas pernas, excluímos todos aqueles que têm movimentação nas pernas... Seria mesmo necessário?

Quem acessou o post mais cedo leu que eu estava indo pedalar com uns amigos.
Quem quer ser o próximo?

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Inclusão Reversa




O processo de inclusão tem sido crescente e incentivado de diversas formas e em vários âmbitos.

Estudantes e estudiosos somam esforços na tentativa de compreender e fomentar ações inclusivas, como os projetos de acessibilidade universal.


Governos e organizações têm se mobilizado por todo o planeta, instituindo leis de cotas e ostentando como grandes conquistas o fato do primeiro presidente negro de um certo país em crise, ou já em uma nação sem crise, a primeira presidente mulher (ou seria correto escrever errado e então falar a primeira presidenta?), para proporcionar situações de igualdade de condições às pessoas e populações em razão das suas diferenças.

Mas que diferenças seriam essas?



Ser diferente é intrínseco ao ser humano. Somos todos cada um porque somos todos diferentes. E como essa condição humana é sensacional.





Talvez então o que se busca são condições de igualdade em razão de ser desfavorecido, destituído de favor, em razão de ser negro ou albino, ou deficiente, ou incoordenado, ou ainda menos inteligente. Oliveira (2004) sugere que esse processo tem por finalidade uma aproximação de um grupo de pessoas que historicamente foram "excluídos ou deixados de lado". Excluídos são aqueles rejeitados, marginalizados e fundamentalmente desprovidos de oportunidades (genéticas, sociais, financeiras, afetivas). E essa situação não é necessariamente completa e total, fazendo com que encontremos um que esteja incluído em determinado meio social, mas alijado de outros contextos e, como tratam Passerino & Montardo (2007), sem que hajam contradições nesse fato.

Tema complicado... Mas a vida é!

Não quero fazer uma dissertação a respeito da inclusão, o assunto somente foi introduzido nesse espaço porque o que quero apresentar aqui tem uma relação direta com uma compreensão mais ampla da agenda inclusiva.. Inclusão no esporte!

O estrondoso sucesso dos Jogos Paralímpicos de Londres nesse ano, associado com o excelente desempenho dos atletas brasileiros, despertou em muitos o interesse pelo esporte paralímpico. Assistir, acompanhar e torcer durante os jogos de basquete em cadeira rodas, voleibol sentado, goalball, além de se emocionar nas provas de natação e atletismo com os atletas superhumanos.

Mas me recordo de um evento em 2007. Uma grande amiga e professora de educação física levou seus três filhos para assistir a um jogo de basquete em cadeira de rodas da seleção brasileira no ParaPan do Rio de Janeiro. Ao final da partida, seu filho mais novo, naquela época com 4 anos, manda essa: "mãe, já sei o que vou ser quando crescer, jogador profissional de basquete em cadeira de rodas!!!!". Ela como excelente educadora soube falar as palavras certas naquele momento, explicando para a criança coisas da vida...

Mas sem menosprezar o momento de aceitação das diferenças, de oportunidade de convivência entre os excluídos e incluídos (soou estranho essa expressão) e o vislumbre do início de uma cultura de compreensão e valorização quanto ao diferente, resta em mim o pensamento de quão injusta é a vida.

Explico: no tremendo esforço de incluir, criamos um novo nicho de exclusão.

O Dudu (filho da Cris, que é professora de educação física e levou seus filhos pra assistir a uma partida de basquete em cadeira de rodas), em condições naturais da sua vida, nunca vai poder ser um jogador profissional de cadeira de rodas. Mas é pior ainda, ele dificilmente terá a oportunidade de brincar, aprender, divertir-se praticando essa modalidade. Dudu faz parte de uma geração de excluídos do esporte paralímpico. Geração favorecida ao acompanhar com imagens de alta definição os Jogos Paralímpicos de Londres, mas desfavorecida por estar impedida de praticar as modalidades em que os novos heróis brilham...

Logicamente não estou falando em correr com as próteses do Oscar Pistorius. Ou seriam melhores as do Alan Fonteles? Enfim, qualquer condição semelhante seria absurda.


Visualizo, entretanto, a inserção de modalidades paralímpicas no currículo escolar, cadeiras de rodas esportivas como parte do material das aulas de educação física, pais matriculando seus filhos em escolinhas de goalball, crianças jogando peladas de voleibol sentado nas quadras, handbikers nos parques...

Mas ainda alço vôos mais altos: torneios escolares em que todos podem jogar juntos as mesmas modalidades, triatletas buscando superação máxima ao trocarem o IronMan por provas de triatlon utilizando handbikes e cadeira de rodas para corrida, atletas não deficientes sendo convidados a integrarem equipes de basquete em cadeira de rodas, grupos de corrida que oferecem treinos adaptados em cadeira de rodas, maratonistas sem deficiência visual completando provas vendados e com auxílio de um guia...

Loucura ou quebra de paradigmas?

Meu intento é despertar um pensamento crítico e um fórum de discussão, ainda que somente internamente, quanto ao processo de inclusão daqueles que agora estão excluídos do processo de inclusão anterior. A isso chamo, inclusão reversa!

E o Dudu agradece...

terça-feira, 27 de novembro de 2012

"Uma aula de Educação Física nada convencional"


Como bom professor de Educação Física, gostaria de deixar com vocês um aquecimento para o assunto que irei tratar em outro post.

O título está em aspas pois não é de minha autoria, mas sim a introdução da reportagem do vídeo. Concordo mas discordo. Realmente parece ser não convencional.

Mas o que deve ser uma aula de Educação Física? O corpo humano em suas diversas formas de movimento seria mesmo  nada convencional?

Sem mais delongas, eis o aquecimento.