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sábado, 30 de março de 2013

Atividade Física - O melhor remédio



Todos falam sobre a importância da atividade física para a saúde. No entanto, vemos diariamente na internet, televisão, jornal e outros meios de comunicação divulgações de remédios e tratamentos para curar doenças, principalmente as do coração decorrentes do sedentarismo. Refletindo sobre a possibilidade da atividade física ser vista primeiro medicamento e pesquisando a respeito, encontrei essa pirâmide da atividade física que mostra a intensidade e regularidade com que os exercícios devem ser trabalhados em nosso dia a dia... 

Mas e quanto às pessoas com deficiência? Será que também precisam praticar atividade física para a manutenção ou melhora da saúde? A resposta é bem simples, sim.

Na verdade, a atividade física para pessoas com deficiência é tão importante quanto, ou até mais importante, por vários motivos.

Posso dizer que depois que sofri acidente de carro e fiquei paraplégica não pensava muito nessa questão, pois tinha em mente, na época, que não havia nada que pudesse fazer. Mas estava enganada; bastou ser convidada a participar de uma associação de esportes para pessoas com deficiência e, posteriormente, iniciar a faculdade de Educação Física para perceber o quão importante o esporte estava sendo para minha saúde. (Para saber mais, releia nossa entrevista com Aline Rocha)

O primeiro benefício que percebi foi a independência. Afinal, com o fortalecimento dos grupos musculares preservados podemos fazer inúmeras coisas como por exemplo aprender a empinar a cadeira, a partir daí podemos descer rampas, subir e descer meio fio e rodar sobre paralelepípedos; mas independência é saúde? Bem, depois que temos independência vamos percebendo que não somos de vidro, algumas quedas são inevitáveis, então começamos a viver, fazemos amigos, encontramos paqueras ou seja, a auto estima sobe. E isso não é saúde?

Infecção na bexiga, pedras nos rins, escaras, obesidade, diabete, osteoporose, hipertensão entre várias outras são consequências de uma vida inativa e, em pessoas com deficiência, a falta de alguns movimentos tornam o problema ainda mais grave, que pode ser prevenido ou tratado com atividade física devidamente orientada por profissionais especializados, no caso, o profissional de Educação Física.

Então, como fazer para ter uma vida mais ativa? Que tal começar assim?
Não... não se preocupe, não precisa ser um grande atleta para ter uma vida saudável, muito pelo contrário, as atividades do dia a dia como sair sozinho de casa, aprender a fazer transferência para o carro, cama, cadeira de banho são um inicio para a independência...  

Não tenha medo de tentar, conhecer coisas novas, ter novas experiências. Como dizem por aí, "a primeira vez é mais difícil". Foi assim comigo e logo que abri o olhos para o mundo lá fora vi o quanto havia perdido, e passei a aproveitar todas as oportunidades que apareceram... e o resultado foi melhor do que poderia imaginar, logo me vi assim... 
Bem, não exatamente assim...  Mas a sensação de liberdade é maravilhosa.

Mas, para você que quer iniciar uma prática esportiva, esse vídeo feito pelo Comitê Paralímpico Brasileiro mostra algumas modalidades, que tal experimentar ao menos uma dessas? Com certeza você se identificará com alguma e ainda dá tempo de pensar no RIO 2016...
Posso dizer que depois que conheci o atletismo, a corrida em específico, minha vida mudou da água para o vinho, e hoje não me vejo mais sem essa sensação de liberdade. É extremamente importante criar metas. E ainda mais importante é lutar para chegar ao objetivo e então termos a certeza que os limites somos nós mesmos que impomos.

Você não quer nada muito radical? Prefere algo mais calmo e  gosta de dançar? Olha que atividade física linda...
Viu só!!! Existem inúmeras opções, e você não precisa praticar sozinho. Chame um amigo para um mano a mano, quem será o vencedor?
A partir daí você estará tão bem que poderá fazer tudo que quiser e até mesmo participar de um concurso de beleza como o que aconteceu na Hungria. Afinal, quem disse que cadeirante não tem atrativos!
Então, pegue seu capacete, sua bike, cadeira de corrida ou mesmo de passeio e comece a se mexer, afinal, a vida é uma só e não podemos deixar para pensar nisso apenas depois de o problema se tornar irreversível

É claro que temos que ter uma alimentação balanceada de acordo com nossos gastos energéticos, exames de rotina também são importantes, lembre-se que o médico, a nutricionista, o fisioterapeuta e o professor de Educação Física são seus amigos e devem ser visitados regularmente.

Não importa a sua idade, sempre há tempo para começar ou recomeçar, os resultados virão logo, logo... Experimente. Ou você prefere se entupir de remédios pelo resto da sua vida?

Ah, não deixe de visitar nossa página de contato e deixar por lá sua dúvida ou sugestão...

domingo, 17 de março de 2013

Quando começar? E quando parar?

Não tenho a menor pretensão em tratar de forma científica e minuciosa a respeito da fisiologia e aspectos biomecânicos ou maturacionais da prática esportiva para crianças ou no envelhecimento. Imagino que mais do que artigos científicos ou citação de fontes respeitadas, alguns exemplos e reflexões bastam para iniciarmos um diálogo.

O ano está começando e muitos pais estão à procura de "escolinhas" de futebol, natação , ballet ou ginástica artística para seus filhos. E observamos que esse fenômeno acontece mesmo para crianças muito pequenas, ainda com seus 3 a 4 anos. Existe algum erro nisso?

De forma alguma! Na verdade, nada melhor para um pequeno que participar de aulas estruturadas e coletivas em um tatame com desafios motores e aventuras imaginárias.

Ou um bebê interagindo com seu pai, brinquedos e outros bebês em uma piscina quentinha...


Contudo, temos visto muito mais que isso. Pais que depositam a esperança de um futuro melhor e milionário nas mãos, nos pés (no corpo?!?) e no talento esportivo de seus filhos. E disso surgem cobranças excessivas e sonhos distantes da realidade. Tudo bem, sonho não precisa ser nem perto da realidade, já que é sonho mesmo! E se assim for tratado como...

Mas a criação de "meninos prodígios", especializados em gestos motores específicos e focados em tornarem-se astros esportivos de sucesso internacional em uma modalidade esportiva pode prejudicar de maneira definitiva o desenvolvimento adequado de uma criança, seja no seu aspecto motor como também em questões sócio-afetivas.

Muito recentemente surgiu na mídia um garoto de 11 anos que fora aprovado em testes no Barcelona. A proposta era mudar-se para a Catalunha e viver longe de sua família para jogar futebol.

O sonho de Cassiano quase tornou-se realidade. Mas seu pai, Sr. Tiquinho, foi contrário a essa proposta:

"Eu penso primeiro como pai, minha ideia não é ficar exibindo meu filho por ele jogar no Barcelona, ser jogador. Quero acompanhar o crescimento dele. Se ele não se tornar um jogador, ele pode ser um médico ou advogado" (leia a notícia).

Essas palavras, vindas de um pai que acabara de voltar da Espanha e ter seu filho comparado ao Messi! Difícil hoje em dia não?

Alguns meses atrás tive acesso a um vídeo de uma criança com 6 anos de idade, que participava de forma demonstrativa de Torneios de Fisioculturismo, tendo sido sempre muito incentivado por sua mãe. Certo ou errado?
Acho que a pergunta feita no título poderia ser diferente. Quando começar e quando parar o quê? E porque? Isso sim faz mais sentido. Pois dependendo do que almejamos para nós ou para nossos pequenos ou idosos podemos direcionar a resposta de uma forma mais adequada e segura.

Em uma viagem na China, presenciei um fenômeno impressionante. Vejam o vídeo:
Acredito que esse jovem atleta não deve ter menos de 70 anos. E o local nem era um Centro de Treinamento ou qualquer coisa do gênero. Na verdade essa cena foi vista em um parque, onde vários outros idosos faziam peripécias bem parecidas.

Ficou muito famoso também um vídeo recente de uma senhora de 86 anos praticando ginástica artística. Ela relata que o seu sonho é participar da festa de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016.
Na tentativa de responder às novas perguntas que fiz, muitos poderiam afirmar com veemência que esses tipos de atividades não caberiam a homens e mulheres dessa idade. Do mesmo modo que uma criança fazendo bodybuilding também não parece ser correto.

Certamente esse idoso chinês e a senhora da paralela tiveram um histórico físico-desportivo que permite a execução e a prática desse tipo de atividade até hoje sem prejuízos à sua saúde, inclusive com vários benefícios e talvez o maior deles relacionado com o bem-estar e o prazer! Porque motivo deveriam parar se a prática lhes faz bem ao corpo e à mente e ainda proporcionam a eles maior qualidade de vida e uma grande satisfação pessoal?
Imagino que não existe uma idade para interromper a prática de esportes, nem mesmo para aprender uma nova modalidade. No entanto, devem ser respeitados alguns aspectos muito importantes relacionados ao desenvolvimento do ser humano.

Existem atividades mais adequadas para cada faixa etária, principalmente quando falamos de crianças e de desenvolvimento infantil. Não adianta insistir com um bebê que ele não vai aprender a jogar tênis de mesa ou realizar exercícios ginásticos na argola. Nesse sentido é que devem ser respeitadas as etapas motoras e emocionais da criança, de acordo com o nível maturacional do sujeito.

A preocupação dos pais é real e justa, mas muitas vezes percebemos que os pais, de forma até mesmo inocente, buscam comportamentos motores em suas crianças para os quais ela ainda não está preparada. Observamos em escolinhas e campeonatos infantis uma cobrança exagerada da família numa especialização precoce, tanto na aprendizagem de um gesto motor perfeito, como na obtenção de vitórias a qualquer custo, sendo que os próprios pequenos ainda não entendem aspectos importantes do jogo e da competição.

Na verdade não existe uma idade determinada para ingressar na prática de atividades motoras, nem existe também um momento certo para interromper essa prática. Mas devemos estar conscientes e atentos para que os bebês participem de atividades específicas de bebês, crianças brinquem com gestos motores e na sua capacidade de aprendizagem e participação, assim como jovens e adultos sejam incentivados naquilo que lhes dá prazer e respeite suas condições físicas.

Procure sempre a orientação com um professor de educação física. Converse com os professores do seu filho e busque entender o que realmente é o melhor na etapa do desenvolvimento em que ele se encontra.

Boas práticas... E se você tiver um vídeo ou um exemplo interessante a respeito do que conversamos aqui, não deixe de nos enviar nos comentários abaixo.

terça-feira, 12 de março de 2013

Um pouco de muito: Guilherme Costa, paratleta de tênis de mesa

Um pouco de muito! é um espaço no Blog para conversarmos um pouco com algumas pessoas que são muito! que já fizeram pra caramba, que têm demais da conta pra ensinar e pra compartilhar.

O formato que escolhemos para isso foi uma EnTWITTERvista (respostas curtas em poucos caracteres) e depois abusarmos um pouco mais do nosso convidado a partir das respostas dadas.

Com vocês, Guilherme Costa!
Antes de começar, conta pra gente qual o seu nome, sua idade e onde você mora?
Guilherme Marcião da Costa, 21 anos. Moro em Brasília /DF.

Em sua opinião, por que você acha que está sendo entrevistado?
Suponho que seja pelos meus resultados e por ser amigo íntimo do Gui (hahaha).

O que você mais gosta de fazer na vida? E o que você realmente faz?
Gosto de Jogar Tênis de Mesa. Graças a Deus faço o que amo e sou atleta paraolímpico de tênis de mesa.

Qual o fato mais marcante na sua vida? E por quê?
Como atleta, sem dúvida nenhuma foi o fato de ser campeão Brasileiro em 2011. Eu provei para mim mesmo onde eu poderia chegar se eu quisesse. Nosso potencial é limitado por nós mesmos. (nota do autor: e olha que o cara já desfilou numa abertura de ParaPanAmericano!)

Você é estudante? Ou já trabalha? Ou os dois? Conta um pouco sobre isso.
Sim estudo Direito e estou no 6º período. Sou atleta profissional e atualmente vivo disso. Gosto de aprender um pouco de tudo e com certeza o direito abriu muitas portas para mim.

Você é solteiro? Casado? Namorando? Por quê? E quem é a pessoa que está junto contigo, caso não seja solteiro?
Estou solteiro, por opção.

Qual ou quais esportes e atividades físicas você já praticou? Qual você pratica hoje em dia? E por quê?
Natação, rugby e tênis de mesa. Hoje sou atleta paraolímpico da seleção brasileira de tênis de mesa, pois amo este esporte.

Como e quando você se interessou pelo esporte, de modo geral?
O esporte me escolheu, pois foi observado meu talento na reabilitação no Hospital Sarah e lá recebi os primeiros incentivos para praticá-lo.

O que significa o esporte na sua vida?
Realização pessoal, busca da excelência, desafio, felicidade e parte da minha liberdade.

Você tem alguma meta esportiva para 2013?
Conseguir a vaga para participar do mundial em 2014

Se você recebesse 250 milhões de reais para investir em esporte, o que você faria?
Investiria na base, sem dúvida nenhuma.

Nesse fim de semana, nosso atleta conquistou a medalha de bronze na Copa Norte-Nordeste-Centro Oeste pela etapa de Brasília... Mas no mês passado, Guilherme Costa recebeu a notícia da convocação para novamente integrar a equipe que vai representar o Brasil no Parapanamericano de Tênis de Mesa, que acontece em Julho, na cidade de Piracicaba/SP e será a competição classificatória para o Mundial de 2014. E o sonho de conseguir a vaga está mais próxima...

O começo da carreira de paratleta de Guilherme Costa aconteceu em um Centro de Reabilitação. Ele nunca havia praticado o tênis de mesa antes da sua lesão e conhecia somente o ping-pong, tendo praticado somente como diversão e ele mesmo relata:  "era muuuuuuuuuito ruim".
Mas não demorou e ele já estava despontando no esporte... quer dizer, na primeira competição em que participou (Campeonato Brasileiro de 2007), após somente 2 semanas de treino, ele só "tomou pau" nas palavras dele... Mas com muito treino conseguiu melhoras no seu jogo e viu sua carreira deslanchar.

Guilherme hoje treina pela Academia Rizzone, já participou de 11 competições internacionais e conquistou seis medalhas nesses torneios. E isso porque ele começou a praticar a modalidade fazem somente cinco anos.

Mas muito mais que medalhas ou competições, para um adolescente que nunca tinha viajado para fora do Brasil e hoje já conheceu 8 países, o esporte tem sido fundamental em sua vida, contribuindo na sua condição física, social e cultural.
E Guilherme é o tipo de atleta que, apesar de nos contar que vive do esporte, deixa a vida seguir em outras áreas... Além de treinar e cuidar do seu físico, ainda mantém uma rotina intensa de estudos, palestras, ensaio da banda e aproveitar suas amizades.
E dá tempo de conciliar tanta coisa? Palestras, estudos, esporte? Ano passado ele ainda inventou de participar de um espetáculo montando por um grupo de cadeirantes de Brasília.

Guilherme nos contou também que nesse ano tem diminuído um pouco a rotina e buscado focar um pouco mais no esporte. Mas tem um prazer enorme quando é convidado para dar palestras. E parece que ele tem maior jeito mesmo. Ou qual seria o motivo dessas crianças estarem tão atentas?
Sobre as palestras, nosso comunicador manda essa: "faço simplesmente por amor. Sei que não sou melhor do que ninguém. Só tento passar para as pessoas as coisas que aprendi a custo de muita dor. Para que elas aprendam por outros caminhos a dar valor para quem está do meu lado, a ter paciência, disciplina, responsabilidade e principalmente respeito."





Agora que já estamos encerrando, será que o Guilherme Costa quer explicar pra gente o apelido dele: Nemo? Essa é contigo aqui nos comentários Gui...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um pouco de muito! Com Aline Rocha, campeã da São Silvestre 2012.



Um pouco de muito! é um espaço no Blog para conversarmos um pouco com algumas pessoas que são muito! que já fizeram pra caramba, que têm demais da conta pra ensinar e pra compartilhar.

O formato que escolhemos para isso foi uma EnTWITTERvista (preciso explicar? Seria uma entrevista com respostas de no máximo 250 caracteres) e depois abusarmos um pouco mais do nosso convidado a partir das respostas dadas.

Com vocês, Aline Rocha!
Antes de começar, conta pra gente qual o seu nome, sua idade e onde você mora?
Meu nome é Aline Rocha, tenho 21 anos e moro em Joaçaba - Santa Catarina.

Em sua opinião, por que você acha que está sendo entrevistada?
Creio que minhas experiências e conquistas podem estimular e incentivar outras pessoas com ou sem deficiência, mostrando-lhes uma nova visão da vida.

O que você mais gosta de fazer na vida? E o que você realmente faz?
Gosto de ler, estudar, ter boas conversas, trocar experiências. Gosto de correr, fazer coisas das quais as pessoas fiquem impressionadas e olhem para mim sem olhos de pena ou indignação mas de admiração e orgulho. E é isso que eu realmente faço.

Qual o fato mais marcante na sua vida? E por quê?
Minha primeira corrida de rua. Quando cruzei a linha de chegada, vi inúmeras pessoas chorando de emoção e elas se questionavam o porque não faziam atividades físicas, se eu em uma cadeira de roda havia completado um percurso com mais de 8km.

Você é estudante? Ou já trabalha? Ou os dois? Conta um pouco sobre isso.
Estou na 4ª Fase do curso de Educação Física, trabalho como voluntária no Laboratório de Fisiologia do Exercício com Iniciação Científica e agora sou presidente da ARAD na gestão 2013/14.

Você é solteira? Casada? Namorando? Por quê? E quem é a pessoa que está junto contigo, caso não seja solteira?
Namoro há 2 anos com Fernando Orso, que também é meu técnico e fundador da ARAD.

Qual ou quais esportes e atividades físicas você já praticou? Qual você pratica hoje em dia? E por quê?
Já experimentei algumas modalidades como Basquete, Badmington, entre outras, mas treino o atletismo nas provas de corrida, modalidade pela qual me apaixonei e é minha vida. Não me vejo mais longe do esporte, pois ele trouxe minhas maiores alegrias.

Como e quando você se interessou pelo esporte, de modo geral?
Conheci o esporte adaptado no Sarah onde tive diversas experiências, mas apenas em 2010 conheci uma associação esportiva na qual fui convidada a conhecer, e só depois disso que iniciei minha carreira esportiva.

O que significa o esporte na sua vida?
O esporte hoje é a minha vida. Me trouxe mais alegria, independência, qualidade de vida, sonhos e realizações. O esporte me abriu muitas portas em todas as áreas de minha vida; e é o esporte que uso para tentar modificar outras vidas.

Você tem alguma meta esportiva para 2013?
Além de pegar índice nacional na prova dos 400m, treino para tentar índice para participar em  competições a nível mundial . E também que mais atletas da ARAD se dediquem para que consigam maiores resultados esportivos.

Se você recebesse 250 milhões de reais para investir em esporte, o que você faria?
Criaria um centro de treinamento com uma fábrica de equipamentos esportivos, hospedagem e refeitório para as pessoas com deficiência aprenderem algumas modalidades esportivas dando a elas estruturas e condições para se tornarem atletas.

No último dia de 2012, nossa atleta sagrou-se campeã da mais tradicional corrida de rua do Brasil. Ela conquistou a São Silvestre (a gente já tinha divulgado na nossa página do faebook, já curtiu?), na categoria cadeirante feminino, com uma certa e aparente facilidade, chegando 9 minutos à frente da segunda colocada.

Mas deixa ela explicar: "Bem, tive alguns imprevistos e acabei chegando atrasada. Quando me posicionei na linha de largada as demais atletas já estavam 400 metros à frente. Não calcei as luvas nem esparadrapo nos dedos e fui embalando a cadeira. Quando percorri 1.000 metros já havia ultrapassado todas competidoras. Na metade do trajeto perdi uma das luvas e pensei em desistir. Nos últimos quilômetros, não conseguia nem ao menos levantar a cabeça.... Mas algumas mulheres do apoio subiram a Brigadeiro inteira comigo, incentivando e assim consegui completar a prova. Sem acreditar que havia ganho de duas maratonistas profissionais. Nem acredito ainda... Poxa, fui lá apenas para completar a prova, principalmente para divulgar o esporte adaptado na minha região."

A atleta, que começou a competir em 2011 nos Jogos Estaduais de Santa Catarina, já tem um currículo vencedor. 


Em 2012 foi Campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina nos 100, 200 e 400 metros. 


Em seguida foi Campeã dos Jogos Abertos de São Paulo nos 100m e 400m.

No final do ano alcançou o 2º lugar no ranking nacional nos 200m e o 3º lugar nos 100m.

Será que foi pouca coisa para um ano de experiência? Ou já não seria uma carreira vitoriosa para quem treina em pista de brita e divide espaço com carros no asfalto?

Mas a largada para essas conquistas aconteceu em 25 de julho de 2006, quando Aline sofreu um acidente de carro que mudou sua vida. Desde então a menina cresceu e aprendeu que ainda podia ter orgulho de si mesma e que as pessoas poderiam admirá-la em qualquer condição. Segundo ela própria: "A minha vida mudou literalmente. Jamais poderia imaginar um dia que chegaria onde estou. Estão acontecendo muitas coisas maravilhosas".

Atualmente ela cursa a Faculdade de Educação Física, tem uma das melhores notas de sua turma, participando de todas as atividades práticas e referindo que dessa forma, ainda contribui na formação dos seus colegas que têm que pensar atividades adaptadas para que ela participe.
E assim, Aline mostra que é possível ser uma professora cadeirante, mesmo na escola: "Estou na 4ª fase e já começaram os estágios na escola. Bem, estava com muito medo um dia antes de ir para a sala de aula. Medo de as crianças (5 a 9 anos) não me respeitarem como professora. Estava com todos os planos de aulas prontos... E foi totalmente ao contrário, elas me receberam com tanto carinho e respeito... muita curiosidade também e adoraram a minha aula. Foi melhor que imaginava. No final as crianças pediam quando eu iria voltar a dar aula, já me chamando de prof!"
Além disso, assumiu a presidência da ARAD, com objetivo de incrementar ainda mais a prática paradesportiva em sua região. Com o objetivo de oferecer a muitos outros tudo aquilo que o esporte já proporcionou: superação, experiências de vida, amigos, viagens e até um namorado companheiro (treinador e namorado deve ser uma dupla função complicada hein?).

E para o futuro ela já sabe: "Quero trabalhar com crianças com deficiência, que é o que eu já faço na associação. Se precisar darei aula com muito prazer. Já até me convidaram para dar palestras". E claro, Rumo aos Jogos Paralímpicos do Rio/2016!!

Diante de tudo isso fica fácil entender porque Aline Rocha foi enTWITTERvistada.

Aline Rocha é uma pessoa que faz na sua vida aquilo que mais gosta!
Uma vida comum, mas ao mesmo tempo extraordinária!