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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um pouco de muito! Com Edênia Garcia, medalhista em 3 Jogos Paralímpicos!

Medalha de Prata nos 50 metros costas (S4) em Londres 2012
Um pouco de muito! é um espaço no Blog para conversarmos um pouco com algumas pessoas que são muito! que já fizeram pra caramba, que têm demais da conta pra ensinar e pra compartilhar.

O formato que escolhemos para isso foi uma EnTWITTERvista (respostas curtas em poucos caracteres) e depois abusarmos um pouco mais do nosso convidado a partir das respostas dadas.

Nota inicial do autor: depois de concluído e enviado o post para aprovação de Edênia Garcia, curte as palavras dela: "super pode e deve publicar a matéria. Tá humana e verdadeira. Foi a melhor descrição que já vi." Pronto! Está aqui agora... Aproveitem!

Com vocês, Edênia Garcia!

Em sua opinião, por que você acha que está sendo entrevistada?
Para divulgar o esporte Paralímpico e passar informações do mesmo.

O que você mais gosta de fazer na vida? E o que você realmente faz?
Gosto de nadar e realmente é o que mais tenho feito nos últimos 12 anos.

Qual o fato mais marcante na sua vida? E por quê?
Ganhar minha terceira medalha em Paralímpiadas. Porque foi a mais difícil.

Você é estudante? Ou já trabalha? Ou os dois? Conta um pouco sobre isso.
Hoje sou atleta profissional.

Você é solteiro? Casado? Namorando? Por quê? E quem é a pessoa que está junto contigo, caso não seja solteiro? O que ela representa na sua vida?
Em um relacionamento sério com meus treinos rsrs...

Qual ou quais esportes e atividades físicas você já praticou? Qual você pratica hoje em dia? E por quê?
Sempre fui nadadora e é o que sou na atualidade. Porque  a natação é o que me “MOVE”.

Como e quando você se interessou pelo esporte, de modo geral?
Quando descobri que teria uma qualidade de vida melhor.

O que significa o esporte na sua vida?
Significa  “VIDA” e “TRANSFORMAÇÃO”.

Você tem alguma meta esportiva para 2013?
A  principal é fazer bons treinos e subir no lugar mais alto do pódio.

Se você recebesse 140 milhões de reais para investir em esporte, o que você faria?
Faria esporte: geraria oportunidades para outros atletas com bons profissionais e equipamentos (estrutura).

Quando estava iniciando as conversas para conseguir a entrevista com Edênia Garcia ela comentou sobre a fase de treinos puxada em que ela estava. Eu, inocentemente, falei que esses retornos pós-férias são realmente difíceis. "E pior que não parei..." foi a resposta dela. Adorei a idéia de conversar com uma atleta que preferiu passar suas férias com seu "namorado" (veja na entrevista qual o relacionamento sério de Edênia Garcia! kkkk).

Determinação e vontade parecem ser marca registrada dessa galera paralímpica! Mas Edênia Garcia vai além e incorpora a natação como estilo de vida... Desde os 14 anos, quando na primeira competição de sua vida conquistou 7 medalhas de ouro e 1 de prata. Sendo convocada para o primeiro Campeonato Mundial no mesmo ano e tendo conquistado 5 medalhas de ouro! E alcançando o melhor tempo do ranking mundial no ano seguinte (50 mts costas)... Um destino já estava traçado.

Edênia Garcia seguiu nesse caminho com muitas outras vitórias... E apesar de tantas conquistas, ela mantém a humildade e senso de responsabilidade como fortes características. Ou seria por outro motivo que uma multi-campeã nacional, bicampeã em Jogos Parapanamericanos, tricampeã Mundial e três vezes medalhista paralímpica acharia que a razão de ser entrevistada seria promover o esporte paralímpico? Currículo ela tem sobrando... Atleta profissional, que consegue fazer de sua vida aquilo que mais gosta e ainda recebe pra isso!

Mas como será a vida de uma atleta profissional no Brasil, ainda mais no esporte paralímpico? Deixa ela contar um pouquinho pra gente: "Hoje o nosso esporte tem grande impacto no Brasil, com os últimos resultados obtidos em Londres e com isso uma maior exposição dos atletas paralímpicos. Estamos em total crescimento profissional. Hoje viver somente do esporte ainda é muito raro, mas é possível. Alguns atletas ainda dependem somente do bolsa atleta ou mesmo do governo local para se deslocar para competições. Em outros casos existem projetos que dão total estrutura, desde passagens, equipamentos e condições para bons treinamentos."

Felizmente o Comitê Paralímpico Brasileiro tem feito um excelente trabalho e a partir de algumas ações como o Projeto Ouro e o Clube Escolar Paralímpicos, diversos atletas têm tido a oportunidade de iniciar e principalmente preparar-se de forma ao menos digna e com excelentes estruturas. Além desses projetos, muito temos ouvido falar do Programa Bolsa Atleta, que hoje é o maior programa de patrocínio individual de atletas no mundo, totalmente financiando pelo Governo Federal.

Diante disso podemos assumir que a situação já é a ideal? Não, como Edênia mesma comentou, ainda é muito raro termos atletas vivendo somente do esporte.

E se atualmente as coisas não são nada fáceis, quando Edênia se interessou por praticar a natação, há mais de 12 anos, as dificuldades eram muito maiores: pegar 4 ônibus para chegar no treino, falta de lugar adaptado para trocar de roupa e tomar um banho depois da natação....

Alguém mais sofre com esses problemas ainda hoje, ou muita coisa já mudou?

Mas o que nos CO-MOVE é a paixão de Edênia pela natação. Tem sido mais de uma década dedicada a uma modalidade e ao esporte que certamente promoveu transformação e qualidade de vida a essa mulher que saiu do Crato (CE), conheceu e encantou o mundo.

E fez isso aqui que a gente acompanhou nos Jogos Paralímpicos de Londres (nossa atleta está na raia 3). De acordo com a própria Edênia, a medalha mais difícil de sua carreira.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

E agora, Danielle Nobile?



E agora? é uma nova seção em nosso blog.

Em nosso cotidiano passamos por diversas situações, com aspectos positivos ou negativos, maiores ou menores repercussões. Certo é que muitas delas podem mudar radicalmente   nossas vidas. E que, depois disso, sempre tem um: E agora?

Com vocês, Danielle Nobile...
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20 de outubro de 2012. Acordamos cedo. Por volta de quatro ou cinco horas da manhã? Não me lembro... Eu era toda adrenalina! Isso me lembro! Claro, eu ia largar!! Nem acredito que me escolheram pra largar! A prova? Revezamento Bertioga-Maresias! 75km que dividimos em três: eu, Paty e Carol.

Lá fomos nós. Nas fotos antes da largada, eu era toda sorrisos! Como sempre, fui! Adrenalina a mil! E eu tinha que dar o meu melhor.

E todas nós demos!

Dor, fome, sede, alegria, suor, companheirismo, postos de troca, isotônico, risadas, fotos, música, muita coisa misturada...

Pegamos 6º lugar no trio feminino! Era minha 50ª medalha (fora as provas que fiz na pipoca).
No dia seguinte já estava com a cabeça na próxima prova: Four Asics Brasília! Seria minha 6ª meia-maratona e o objetivo era fazer abaixo de duas horas. E eu ia conseguir! No treino eu tinha feito 20km em 1:49 e ainda pedalei 30km depois. Tudo indicava que ia dar certo!!!

Mal sabia eu que Bertioga-Maresias seria minha última medalha de corrida por um bom tempo...


22 de outubro de 2012. Nesse dia, minha vida mudou! Capotei o carro 8 vezes e, apesar de nenhum corte no corpo, quebrei uma vértebra e “fui parar” na cadeira de rodas! (pra saber detalhes dessa história, acesse o blog do Jairo Marques, que lá eu já contei tudo!)

Sabe, fiquei realmente surpresa comigo mesma. Não me desesperei por nenhum minuto. Ok, desesperei quando o bombeiro me perguntou se eu conseguia sair do carro sozinha e eu não conseguia! E comecei a gritar: “Moço, eu sou atleta!” E chorava: “eu nunca mais vou correr? É isso?”

Depois, não sei, não me desesperei mais! Minha sensibilidade voltou ainda na sala de Emergência. Claro, bem pouquinha, bem discreta... E os dias foram passando: Sete dias na UTI, cirurgia pra colocar uma placa de titânio no lugar da minha vértebra C7, mais um dia de UTI e quatorze dias no quarto do hospital.

Mas em minha cabeça só havia um pensamento: voltar a correr! 
Todos que iam me visitar diziam que eu não desistisse. “Desistir? Eu não vou desistir enquanto eu não voltar a correr!” Essa era a resposta de sempre.

E dentro de mim eu pensava: “Não vou conseguir viver sem endorfina, meu Deus! O que eu vou fazer?” Vamos ver o que sei fazer:

Correr? Preciso de pernas.
Pedalar? Preciso de pernas (ao menos eu pensava assim. Já já falarei do pedal de novo!)
Nadar? Sim!!!!!!!! Essa era a solução! Comecei a torrar a paciência do médico para me liberar para natação.

Enquanto isso, vim pra casa dos meus pais, comecei a pesquisar e um mundo novo se abriu pra mim. Vários cadeirantes apareceram em minha vida (Thanks God!) e começaram a me tirar até dúvidas bobas, sobre rotina, sobre a  cadeira de rodas e sobre esporte!!!! Vários deles praticam musculação, canoagem e natação... Então eu me animei!

Mas e agora? Bem...

O plano A é ganhar mais medalhas de corrida!

O plano B é ter outro porta-medalhas, de “paranatação”! Pois finalmente meu médico me liberou para entrar na piscina! Dois meses depois da lesão, meu pai entrou comigo e eu arrisquei as minhas primeiras braçadas descoordenadas (segurando nos espaguetes, claro, senão eu ainda afundo!) .
Mas continuei a pesquisar! Há coisas que eu não sabia como funcionavam e existem também um milhão de esportes adaptados. Tem ainda uma tal de classificação funcional (dependendo da lesão você se enquadra nessa ou naquela categoria) e fui procurar qual seria minha classificação na natação. Nesse momento, entrei no site do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Também “aluguei” um amigo cadeirante nadador para descobrir um monte de coisas, que me mandou vídeos de competições e então procurei uma escola de natação! Já dei até algumas braçadas, sem o espaguetti, no nado costas.
Mas, não parei por aí! Eu já tinha visto basquete pra cadeirantes, mas não sou muito boa de mira, nem de esportes coletivos (sempre fui baixa e com “excesso” de coordenação motora). Eu já fiz aulas de boxe e boxe chinês e descobri que há boxe pra cadeirante! Estou pensando nisso!
E tem também as handbikes. Descobri que posso pedalar com as mãos e estou louca pra tentar (mesmo ainda estando com os braços fracos, afinal, sou mulherzinha. Eu praticamente só treinava perna!).
Conforme os dias passam, eu pesquiso, faço novos amigos e descubro mais e mais esportes adaptados! Há o vôlei sentado, esgrima, rugby, tênis de mesa... Há muitas opções! Basta escolher uma (ou duas ou mais), parar de preguiça, sair da cama ou sofá, sentar na cadeira de rodas e “rodar” atrás de algo que você goste! Não há porque pensar que, como cadeirante, você precisa ser sedentário!










E há mais um “porém” na minha história esportista e atlética (quem vê, pensa!). Eu havia prometido a alguns amigos que correria a São Silvestre em 2012, mas não pude! Agora esses mesmos amigos me fizeram prometer que eu iria correr com eles a São Silvestre 2013.

Prometi e vou cumprir! A pé ou de cadeira, eu vou e completarei a prova! Afinal, promessa é dívida! (o autor do blog abre parêntes: quem sabe a Dani não desbanca em 2013 a atual campeã Aline Rocha)

Um dia uma pessoa próxima me fez chorar muito, dizendo: “Mesmo que você volte a andar, você não vai conseguir correr de novo. Seu pescoço não vai agüentar o impacto.” Chorei demais mesmo. Mas depois, a pessoa disse: “Mas você pode trabalhar em organização de provas”. Depois que o choque passou, eu pensei que essa pode ser mais uma possibilidade para continuar “ligada” ao esporte!

O esporte (a corrida, no caso) me ajudou muito em 5 anos. Passei por momentos difíceis e superei no treino, me alegrei e comemorei no treino, melhorei meu tempo, conquistei medalhas e pódios e fiz muitos, muitos amigos (que estão sendo essenciais em vários aspectos da minha recuperação).

Tenho certeza que o esporte me ajudou a não me desesperar com minha nova vida, minha nova realidade.  Desde o começo, pensar no esporte foi um alento e agora tem sido uma perspectiva de uma vida ativa e saudável, não importa se como andante ou cadeirante. Na realidade, percebi que há um mundo, vasto e novo, a ser explorado! E nesse mundo eu posso ter mais chances e até ser mais feliz!

O texto foi escrito e cedido pela corredora, atleta e muito ser-humano, Danielle Nobile.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Maratona Aquática... ou nadando em águas abertas


A natação, em suas origens, não começou dentro de uma piscina. O homem, definitivamente, aprendeu a nadar em águas abertas.


Atualmente, essa modalidade vem ganhando grande destaque no cenário mundial, tornando-se esporte olímpico a partir dos Jogos de Pequim em 2008, com o nome de Maratona Aquática (apesar de não serem os 42km da maratona terrestre).


Em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres eu presenciei a prova das mulheres, que consistiu em nadar longos 10km, em circuito fechado, no qual as atletas davam várias voltas e que somente observávamos ao longe. Essa modalidade tinha como uma das favoritas, a brasileira Poliana Okimoto, que abandonou a prova por hipotermia. Confesso ter vivido uma das experiências mais emocionantes desses Jogos Olímpicos.

Explico:
Desde criança meus pais nos incentivaram a fazer natação. Eu e meus irmãos aprendemos a nadar muito cedo. Fizemos aulas e principalmente aproveitamos muito no clube, na praia e ainda mais quando nos mudamos para uma casa com piscina.


Para além da diversão e das questões de segurança na infância, a natação virou coisa séria quando me tornei adolescente.

Fui convidado a treinar na ASEEL, um dos melhores clubes de natação de Brasília no final da década de 80. Não, não estou mesmo me referindo ao passado do clube, como que querendo mostrar que era um local de tradição ou qualquer coisa assim. Coincidentemente, o final da década de 80, a minha adolescência e o período em que comecei a treinar foram eventos simultâneos.

A rotina de treino era de aproximadamente 4 horas/dia, com treinos extras aos sábado, quando não estávamos competindo. Sinceramente, depois de um tempo eu comecei a não curtir muito... e abandonei a natação competitiva.

Entretanto, esses anos foram fundamentais para determinar uma estreita relação com a natação. Mais tarde, quando decidi na minha vida mudar tudo que vinha fazendo para ingressar na Faculdade de Educação Física, um dos meus sonhos era dar aulas na beira de uma piscina. Sonho esse que consegui realizar... enquanto realizava sonhos de outros tantos...

Eu nunca parei de nadar. Hoje tenho certeza que é o meu esporte preferido para a prática. E já, quando adulto, comecei a me divertir nadando no Lago Paranoá. Daí passei a disputar provas em águas abertas, primeiro no lago e depois no mar, já tendo inclusive participado por duas vezes da Travessia dos Fortes.

E essa experiência de águas abertas, para quem nada, dá um novo sentido à natação...

Profissionalmente, consegui também dar treinos em águas abertas. Esse fato foi uma grande realização pela oportunidade de  presenciar a transformação das pessoas. Entrar no lago e conseguir nadar era a plena percepção de um alto senso de capacidade a partir da vivência em uma experiência altamente motivadora e desconhecida. Isso rendeu muitos frutos e sou extremamente grato por esses momentos.

Mas estou falando disso tudo porque nesse fim de semana aconteceu a última etapa do Circuito Brasileiro de Maratonas Aquáticas de 2012. Em cada etapa foram disputadas duas provas: 5km e 10km nas categorias masculino e feminino. A disputa entre as mulheres foi bastante acirrada e, mesmo após assumir a liderança na sexta-feira (07/12/12) ao chegar em 2º lugar na prova dos 10km, o título não estava garantido à atleta Ana Marcela.

No domingo e ao final da etapa, a grande campeã foi mesmo Ana Marcela, que nas últimas 7 edições conquistou 6 campeonatos, além de ser a detentora do BiCampeonato da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas.

Diante do currículo dessa nadadora, não causa estranheza mais um título. O fato curioso que eu gostaria de ressaltar é que a última prova do ano foi decidida no "tira-teima" por meio do recurso tecnológico de filmagem do momento da chegada. As atletas Poliana Okimoto e Ana Marcela, após 1h00m26s de prova terminaram a prova empatadas.


Considero um aspecto sensacional termos duas atletas brasileiras de nível internacional que após mais de uma hora de prova batem no portal no mesmo momento.

Chances de medalhas no Rio 2016.
Chances de vitórias brasileiras nos próximos anos, como já vem ocorrendo.
E muita chance da gente se motivar e continuar ou começar a nadar...

Será que você anima a dar umas braçadas hoje?

O Ministério da Prevenção de Acidentes do blog adverte que nadar em águas abertas sem companhia e sem experiência é extremamente perigoso.