domingo, 6 de janeiro de 2013

Um pouco de muito! Com Aline Rocha, campeã da São Silvestre 2012.



Um pouco de muito! é um espaço no Blog para conversarmos um pouco com algumas pessoas que são muito! que já fizeram pra caramba, que têm demais da conta pra ensinar e pra compartilhar.

O formato que escolhemos para isso foi uma EnTWITTERvista (preciso explicar? Seria uma entrevista com respostas de no máximo 250 caracteres) e depois abusarmos um pouco mais do nosso convidado a partir das respostas dadas.

Com vocês, Aline Rocha!
Antes de começar, conta pra gente qual o seu nome, sua idade e onde você mora?
Meu nome é Aline Rocha, tenho 21 anos e moro em Joaçaba - Santa Catarina.

Em sua opinião, por que você acha que está sendo entrevistada?
Creio que minhas experiências e conquistas podem estimular e incentivar outras pessoas com ou sem deficiência, mostrando-lhes uma nova visão da vida.

O que você mais gosta de fazer na vida? E o que você realmente faz?
Gosto de ler, estudar, ter boas conversas, trocar experiências. Gosto de correr, fazer coisas das quais as pessoas fiquem impressionadas e olhem para mim sem olhos de pena ou indignação mas de admiração e orgulho. E é isso que eu realmente faço.

Qual o fato mais marcante na sua vida? E por quê?
Minha primeira corrida de rua. Quando cruzei a linha de chegada, vi inúmeras pessoas chorando de emoção e elas se questionavam o porque não faziam atividades físicas, se eu em uma cadeira de roda havia completado um percurso com mais de 8km.

Você é estudante? Ou já trabalha? Ou os dois? Conta um pouco sobre isso.
Estou na 4ª Fase do curso de Educação Física, trabalho como voluntária no Laboratório de Fisiologia do Exercício com Iniciação Científica e agora sou presidente da ARAD na gestão 2013/14.

Você é solteira? Casada? Namorando? Por quê? E quem é a pessoa que está junto contigo, caso não seja solteira?
Namoro há 2 anos com Fernando Orso, que também é meu técnico e fundador da ARAD.

Qual ou quais esportes e atividades físicas você já praticou? Qual você pratica hoje em dia? E por quê?
Já experimentei algumas modalidades como Basquete, Badmington, entre outras, mas treino o atletismo nas provas de corrida, modalidade pela qual me apaixonei e é minha vida. Não me vejo mais longe do esporte, pois ele trouxe minhas maiores alegrias.

Como e quando você se interessou pelo esporte, de modo geral?
Conheci o esporte adaptado no Sarah onde tive diversas experiências, mas apenas em 2010 conheci uma associação esportiva na qual fui convidada a conhecer, e só depois disso que iniciei minha carreira esportiva.

O que significa o esporte na sua vida?
O esporte hoje é a minha vida. Me trouxe mais alegria, independência, qualidade de vida, sonhos e realizações. O esporte me abriu muitas portas em todas as áreas de minha vida; e é o esporte que uso para tentar modificar outras vidas.

Você tem alguma meta esportiva para 2013?
Além de pegar índice nacional na prova dos 400m, treino para tentar índice para participar em  competições a nível mundial . E também que mais atletas da ARAD se dediquem para que consigam maiores resultados esportivos.

Se você recebesse 250 milhões de reais para investir em esporte, o que você faria?
Criaria um centro de treinamento com uma fábrica de equipamentos esportivos, hospedagem e refeitório para as pessoas com deficiência aprenderem algumas modalidades esportivas dando a elas estruturas e condições para se tornarem atletas.

No último dia de 2012, nossa atleta sagrou-se campeã da mais tradicional corrida de rua do Brasil. Ela conquistou a São Silvestre (a gente já tinha divulgado na nossa página do faebook, já curtiu?), na categoria cadeirante feminino, com uma certa e aparente facilidade, chegando 9 minutos à frente da segunda colocada.

Mas deixa ela explicar: "Bem, tive alguns imprevistos e acabei chegando atrasada. Quando me posicionei na linha de largada as demais atletas já estavam 400 metros à frente. Não calcei as luvas nem esparadrapo nos dedos e fui embalando a cadeira. Quando percorri 1.000 metros já havia ultrapassado todas competidoras. Na metade do trajeto perdi uma das luvas e pensei em desistir. Nos últimos quilômetros, não conseguia nem ao menos levantar a cabeça.... Mas algumas mulheres do apoio subiram a Brigadeiro inteira comigo, incentivando e assim consegui completar a prova. Sem acreditar que havia ganho de duas maratonistas profissionais. Nem acredito ainda... Poxa, fui lá apenas para completar a prova, principalmente para divulgar o esporte adaptado na minha região."

A atleta, que começou a competir em 2011 nos Jogos Estaduais de Santa Catarina, já tem um currículo vencedor. 


Em 2012 foi Campeã dos Jogos Abertos de Santa Catarina nos 100, 200 e 400 metros. 


Em seguida foi Campeã dos Jogos Abertos de São Paulo nos 100m e 400m.

No final do ano alcançou o 2º lugar no ranking nacional nos 200m e o 3º lugar nos 100m.

Será que foi pouca coisa para um ano de experiência? Ou já não seria uma carreira vitoriosa para quem treina em pista de brita e divide espaço com carros no asfalto?

Mas a largada para essas conquistas aconteceu em 25 de julho de 2006, quando Aline sofreu um acidente de carro que mudou sua vida. Desde então a menina cresceu e aprendeu que ainda podia ter orgulho de si mesma e que as pessoas poderiam admirá-la em qualquer condição. Segundo ela própria: "A minha vida mudou literalmente. Jamais poderia imaginar um dia que chegaria onde estou. Estão acontecendo muitas coisas maravilhosas".

Atualmente ela cursa a Faculdade de Educação Física, tem uma das melhores notas de sua turma, participando de todas as atividades práticas e referindo que dessa forma, ainda contribui na formação dos seus colegas que têm que pensar atividades adaptadas para que ela participe.
E assim, Aline mostra que é possível ser uma professora cadeirante, mesmo na escola: "Estou na 4ª fase e já começaram os estágios na escola. Bem, estava com muito medo um dia antes de ir para a sala de aula. Medo de as crianças (5 a 9 anos) não me respeitarem como professora. Estava com todos os planos de aulas prontos... E foi totalmente ao contrário, elas me receberam com tanto carinho e respeito... muita curiosidade também e adoraram a minha aula. Foi melhor que imaginava. No final as crianças pediam quando eu iria voltar a dar aula, já me chamando de prof!"
Além disso, assumiu a presidência da ARAD, com objetivo de incrementar ainda mais a prática paradesportiva em sua região. Com o objetivo de oferecer a muitos outros tudo aquilo que o esporte já proporcionou: superação, experiências de vida, amigos, viagens e até um namorado companheiro (treinador e namorado deve ser uma dupla função complicada hein?).

E para o futuro ela já sabe: "Quero trabalhar com crianças com deficiência, que é o que eu já faço na associação. Se precisar darei aula com muito prazer. Já até me convidaram para dar palestras". E claro, Rumo aos Jogos Paralímpicos do Rio/2016!!

Diante de tudo isso fica fácil entender porque Aline Rocha foi enTWITTERvistada.

Aline Rocha é uma pessoa que faz na sua vida aquilo que mais gosta!
Uma vida comum, mas ao mesmo tempo extraordinária!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Compromissos para 2013, não promessas!

Faz tempo tinha vontade de ter um espaço para conversar sobre esporte e atividade física de uma forma bem geral. Demorei porque existiam algumas dúvidas sobre o formato e também se uma abordagem muito ampla seria interessante.

Essas questões, entre outras, quase me impediram de iniciar os trabalhos... Contudo, meio que no ímpeto, decidi não ter todas as respostas antes de começar (ou analisar o mercado, como diria alguém do marketing) e simplesmente inaugurei esse ambiente de troca como num processo de experimentação.

Creio que fiz assim porque inicialmente buscava tão só uma satisfação pessoal com a própria escrita e também pelo processo como um todo: a pesquisa de temas, a procura por palavras e a escolha das imagens. Claro que todo aquele que escreve busca se comunicar, ou seja, como emissor anseia pelo receptor (aprendi isso num dos primeiros semestres de Comunicação na UnB).

Mas quem seriam os receptores? Isso era algo que eu não conseguia ainda vislumbrar.

Aos poucos eles foram surgindo... E não é que está dando certo? Vejam bem que não assumi a condição final de que "já deu certo", estou muito ciente do processo e principalmente do primeiro passo dado, pois considerando que em menos de 20 dias no ar e com somente 5 textos publicados já recebi mais de 1.000 visitas.


Mas esse número já cresceu para algo próximo a 2000 acessos, em quase todos os continentes do mundo.

Foram 13 posts publicados e a criação de uma fanpage no Facebook que já tem mais de 180 curtidores.










Obviamente que esse número me assustou. Criei um espaço em que recebo quase 50 visitas por dia, em média. E assim passei a repensar meu papel como emissor diante de tanta receptividade.

Até mesmo porque diversos dos meus leitores começaram a se manifestado com boas e inventivas exigências. Bem, ninguém apareceu por aqui exigindo nada ainda. Mas um pedido de quem me prestigia torna-se para mim um compromisso. E tenho tido alguns...

"Guigo, faz um post sobre o cross-fit!"

"Tio Gui, podia escrever que tem muita gente que quer fazer academia mas não estão sendo bem recebidos por conta de suas deficiências."

"Quero experimentar sua handbike."

Minha proposta ainda é manter esse ambiente bem democrático no sentido de abordar o tema esporte de forma ampla. Assim, todas as sugestões são válidas e serão atendidas, em seu tempo.


E dessa forma, o ano que se inicia traz desafios importantes! Não tenho metas para o blog em 2013, nem vou cair na besteira de fazer promessas.

Mas não vou me eximir do compromisso que fiz em me aperfeiçoar e ousar nesse ambiente criativo e árduo. E compromisso também com tantos que têm passado por aqui...

Nesse sentido, e buscando uma maior proximidade com meu leitor, queria fazer três pedidos:

1. Existe um campo na barra de rolagem à direita em que você pode seguir o blog, ou deixar seu email para receber notificações a cada post. Participe dessa forma...

2. Comentem no próprio blog ou enviem por email, mensagens no celular ou em qualquer rede social suas impressões, idéias, críticas e sugestões para melhorar.

3. Curtam a fanpage do Blog. Estou adorando esse outro canal.

Como disse na primeira linha, quero conversar sobre esporte. Não quero falar sozinho...
Obrigado pelo carinho e pelos acessos nesse ano de 2012!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Acabou! Em breve, os melhores dias de nossas vidas

Outro dia minha mãe percebeu que eu não estava vendo jogo de futebol na televisão e me perguntou: "Acabou o campeonato?" Pois é mãe, o campeonato acabou, o jogo terminou, o dia escureceu... Mas tem de novo! Tudo de novo!

E que bom que a nossa vida é feita de ciclos. Concluímos uma etapa, tomamos fôlego e recomeçamos. Claro que amanhã pouca coisa vai mudar assim como passe de mágica. Entretanto, certamente ao final da contagem regressiva dessa noite, após os abraços e desejos entre amigos e familiares estaremos renovados e com nova disposição.

Mas renovados e com disposição para quê?

Bem, minha mensagem nesse fim de ano será ilustrada com esse vídeo. E comentada logo depois, senão não seria eu...
Adoro esporte! Quem me conhece sabe que sou muito fã. E o que vimos nesses 4 minutos me fez pensar que nossa vida é como o esporte.

Existe uma preparação. Todos os dias...

Temos nossos objetivos. Nem sempre os alcançamos, mas outras vezes com perfeição e muito além do que esperávamos os agarramos com toda força.

Choramos, sorrimos. Encontramos razões e motivos que nos impulsionam. E não são poucos.

A gente vai em frente. Faz força, cai e se levanta. Surpreendemo-nos e também a quem nos acompanha.

Ah sim, sem dúvida alguma temos uma torcida alucinada que está de olho, que grita, chora e se emociona. Que prende a respiração e explode quando as coisas acontecem como esperamos. Mas que não tira o olho quando não deu...

E então respondo:

Renovados para que a cada dia, nunca mais vejamos nossas vidas como antes.

E dispostos a fazer de cada dia, os melhores dias de nossas vidas!

Eu estou na torcida! Pulando na arquibancada e esperando viver tudo de novo! E ainda mais!

domingo, 30 de dezembro de 2012

HardCore Sitting (???)

Carving, grinding, power-slinding são manobras comuns em pistas de BMX freestyle e skate. Mas dropar rampas de forma alucinada em cadeira de rodas é algo ainda um tanto surreal. Ou não?

Pois bem, o HardCore Sitting surgiu em meados de 2007 na cidade de Las Vegas, California. E tem seu principal representante o atleta Aaron Fotheringham, que nasceu com espinha bífida e passou a utilizar a cadeira de rodas como forma principal de deslocamento a partir dos 8 anos de vida.

Mas a cadeira de rodas não foi vista por ele de forma tão simples assim.

Parecia que algo muito especial estava sendo preparado na vida desse garoto que não se mostrava nada satisfeito quando acompanhava seu irmão nos treinos de BMX freestyle.

Somente ver o seu irmão e colegas executarem aquelas manobras radicais não era suficiente para Aaron. E ele começou a utilizar sua cadeira de rodas nas pistas de skate.

Sobravam coragem, ousadia e criatividade.

Aos poucos Aaron foi aperfeiçoando sua técnica, desenvolvendo novas manobras e acrescentando desafios em cima de sua cadeira de rodas.
Em julho de 2006 Aaron foi o primeiro ser humano (até porque não teve outro ser que já fez isso) a realizar um backflip em cadeira de rodas.
A partir de então a modalidade firmou e esse atleta passou a inovar cada vez mais. Atualmente Aaron é integrante de um seleto grupo de atletas de alto nível do esporte radical da Nitro Circus, tem diversos patrocinadores e se apresenta pelo mundo em eventos na Mega Rampa.

E esse nível de profissionalismo faz com que ele venha experimentando e executando com perfeição novas e perigosas loucuras. Alguém arrisca uma manobra dessas?
E graças a esse super atleta, a modalidade espalhou-se pelo mundo e já temos inclusive representantes em nosso país desenvolvendo o HardCore Sitting - Brazil.

É necessário um treinamento rigoroso, uso de equipamentos de segurança apropriados e uma cadeira de rodas "turbinada" para suportar o tranco (para sermos bem suaves e não falarmos em quedas).

E para quem quiser aprender e saber mais sobre a modalidade, não percam em janeiro um dia inteiro dedicado ao HardCore Sitting. O primeiro evento oficial dos praticantes de HCS no Brasil.

Dia: 22/01/13
Local: Pista de São Bernardo do Campo
Horário: 13:00 às 16:00

Imperdível! Venha conhecer nossos atletas brasileiros.

E Aaron Fotheringham que se cuide, porque já temos o Pedro Henrique, mandando manobras na cadeira de rodas que até então eram exclusividade do mestre.


Mas será que o nosso Pedro Henrique está tão preparado pra já tentar um double backflip? Quem tiver paciência para ver as várias tentativas (leia-se quedas feias) pode conferir aqui.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sobre ParaCiclismo... e Inclusão Reversa

Ontem no início da tarde fui surpreendido por várias mensagens nas redes sociais a respeito do falecimento de João Alberto Schwindt Filho, 35 anos de idade e um dos maiores ciclistas paralímpicos do Brasil.

João Schwindt havia sido atropelado aos 14 anos e, em decorrência desse acidente, teve perda de alguns movimentos do seu braço direito. O que não lhe impediu de seguir em frente. O acidente de moto na manhã de ontem em Corumbá - GO, sim...

Esse grande paraciclista representou o Brasil em diversos Mundiais. Conquistou medalhas de ouro e bronze no Parapan de Guadalajara em 2011, além de ter alcançado a 4ª colocação nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012. No último dia 19 de dezembro, foi eleito o melhor atleta brasileiro da modalidade pelo Prêmio Paralímpicos, promovido pelo CPB. E certamente despontava como uma promessa para os próximos anos.

O Comitê Paralímpico Brasileiro, de forma honrosa e com todo respeito ao atleta e seus familiares, decretou luto oficial de três dias.

Esse nosso espaço, humildemente presta uma homenagem e aborda o tema Ciclismo Paralímpico.
O ParaCiclismo teve início na década de 80, quando somente haviam provas para atletas com deficiências visuais. Esses atletas participam de competições nas bicicletas Tandem, com auxílio de um atleta guia, pedalando à frente.
O crescimento acelerado da modalidade fez com que nos Jogos Paralímpicos de Nova Iorque (1984) já participassem, além dos atletas com DV, os atletas amputados e com paralisia cerebral. Desde então foram sendo acrescentadas provas de estrada, classes de competidores de acordo com as deficiências, provas no velódromo (talvez minha única decepção nos Jogos de Londres foi não ter entrado nessa arena) e finalmente  a inclusão das provas de handcycling nos Jogos de Sidney em 2000.

Certamente o maior atleta brasileiro da modalidade foi o santista Rivaldo Gonçalves Martins. Ele foi o primeiro paraciclista representando o país em Jogos Paralímpicos (Barcelo-92),  conquistou o título de campeão mundial na prova de contra-relógio na Bélgica em 1994, além de outras medalhas em Parapanamericanos. Rivaldo é amputado da perna esquerda. Hoje disputa provas de paratriathlon e é membro da CBTri.

Além de Rivaldo e João Schwindt, devemos destacar outros grandes atletas da modalidade como Roberto Carlos Silva e Soelito Ghor, ambos medalhistas em Jogos Parapanamericamos. Nas provas de handcycling não há dúvidas que o maior nome no masculino hoje é o atleta Aranha (já comentamos sobre ele em Brasil: Potência Paralímpica de Inverno) e no feminino a paratleta-revelação em 2011, ao menos na minha opinião, Jady Martins.

Jady, a medalha e eu!
Falo assim da Jady pois a conheci quando recém havia sofrido sua lesão e pudemos trabalhar juntos e conhecer muito do que o esporte paralímpico poderia oferecer.

Sinceramente nunca imaginei que ela se tornaria uma atleta, mas não tenho dúvidas que a vivência em diversas modalidades e tipos de atividades físicas fizeram muito bem a essa paranaense guerreira.
Hoje ela é medalhista de Prata no Parapan de Guadalajara e viaja o mundo competindo e trazendo presentes pra mim (essa vale mais um hein?). E eu sou fã, torcedor e um grande amigo: Vai Jaaaady!!!

Quando ela começou a participar de competições, passei a acompanhar as provas de ParaCiclismo, tendo inclusive presenciado sua primeira participação, aqui em Brasília, no início de 2011.

A última etapa do Campeonato Brasileiro de Ciclismo Paralímpico 2012 aconteceu novamente em Brasília no dia 24 de novembro. Infelizmente, o evento não teve a cobertura jornalística que merecia. Culpa dos organizadores? Culpa da mídia esportiva brasiliense? Culpa minha que fiquei sabendo e não divulguei?

Enfim... Um público muito reduzido prestigiou o evento e basicamente foi composto por treinadores, integrantes das comissões organizadoras, amigos e familiares dos atletas ou ainda fãs completamente alucinados pelo esporte.

E mesmo diante de tanta diversidade, de ciclistas amputados das pernas, dos braços ou com extrema movimentação involuntária que dificulta de forma essencial a marcha, continuo fascinado pelas handbikes. Os atletas dessa categoria cada vez mais crescem no Brasil e foi realmente emocionante ver uma largada com tantas "bicicletas de mão".
Handbikers perfilados após a prova
Até agora só falei de ParaCiclismo... onde está a Inclusão Reversa?

Bem, meu fascínio pela handbike é tão grande, que adquiri de um amigo do interior de São Paulo a minha própria handbike.

Claro que não um modelo desses de competição, mas o suficiente para me divertir e fazer um excelente treino físico cardiovascular, de força e resistência para membros superiores. Uma handbike simples e eficiente; capaz de chamar a atenção de muitos que passam por mim, a ponto de ouvir diversos comentários do tipo: "Quê isso pai!? Um bicicleta pra deficiente, meu filho...", somado a um olhar de pena (do adulto) e de "inveja" (da criança).

Quem conhece o que penso sobre inclusão reversa também já consegue imaginar minhas próximas linhas.

Por que uma bicicleta que se pedala com as mãos tem que ser uma bicicleta para deficientes? Por que as pessoas não podem aproveitar esse recurso tecnológico e se divertir como fazem hoje com as supostas bicicletas normais? Qual a razão pela qual pessoas que não têm qualquer deficiência não podem, além de se divertir, competir em provas de handbike, independente da categoria que seja criada para isso?

Enfim, parece que ao criarmos uma modalidade esportiva para pessoas que não têm movimentação nas pernas, excluímos todos aqueles que têm movimentação nas pernas... Seria mesmo necessário?

Quem acessou o post mais cedo leu que eu estava indo pedalar com uns amigos.
Quem quer ser o próximo?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

E o Prêmio "HoHoHo" de Esportista do Ano goes to...


... PAPAI NOEL!!!!

Uma colega de trabalho estava me contando que, no ano passado, não teve escapatória e contou pra sua filha de 6 anos que Papai Noel não existia... Alguns outros comentaram que conseguiram esconder o fato por mais ou menos tempo. Mas eu pensava que hoje em dia as crianças já nasciam sabendo que Papai Noel não existe!

Na minha época de criança era diferente. Sinceramente, não me recordo quando deixei de acreditar em Papai Noel. Talvez foi perto dos 16 a 18 anos, quando os presentes que pedia já não chegavam mais e que mesmo passando a noite acordado próximo à árvore de Natal o velhinho barbudo não dava sinais de vida...

Independente dessa mentira natalina, o bom velhinho é um cara simpático e que não está aí para fazer mal a ninguém. Vamos deixar as crianças brincarem de Papai Noel...

Mas esse espaço é pra gente conversar sobre esportes. E um fenômeno que acontece todo ano em diversos locais do mundo são as corridas natalinas, com tema de Papai Noel. Ou seja, os corredores devem se fantasiar com os trajes característicos para participar da corrida.

Esses eventos acontecem nessa época do ano em várias cidades. De Recife-PE, com um grupo de 80 corredores visando arrecadar donativos para comunidades carentes, até Liverpool na Inglaterra, onde a corrida é organizada anualmente e parece ser o maior evento dessa natureza. Nesse ano de 2012 tiveram aproximadamente 8.500 Papais Noéis (é esse o plural de Papai Noel?) correndo pelas ruas da cidade.

Existe inclusive o recordista de maratona vestido de Papai Noel. O inglês Paul Simons completou os 42km no tempo de 2h55m50s e tem seu feito registrado no Guinness World Records 2013.
Mas esse Papai Noel tem se mostrado um grande esportista. Porque temos visto pelo mundo que não é só na corrida de rua que ele se aventura.

Em Maryland, nos Estados Unidos, existe um festival há 23 anos em que diversos Papais, Mamães e Filhos Noéis desfilam sobre as águas com esquis puxados por lanchas e jet-skis.

E nem é só no esqui aquático que esse velhinho manda bem! Vemos nesses dias o Papai Noel radicalizando seja em cima da água ou bem abaixo....
 
No Japão, uma grande estação de esqui oferece entrada grátis para quem acrescenta em seu material de esqui o paramento oficial do Papai Noel. O espetáculo nas montanhas brancas faz qualquer criança (adulto?) voltar a acreditar nessa Lenda e ficar lá embaixo esperando que um daqueles vermelhinhos seja o autêntico Papai Noel que inesperadamente vai trazer o presente dos sonhos.
Eu ainda acredito nesse Papai Noel que sai de casa, põe uma fantasia e vai curtir. Que pode ser diferente, mas é igual para todo mundo, em todo o mundo.

Eu hoje acredito nesse Papai Noel que de toda e qualquer forma tenta ser feliz e não se esconde no pólo norte, não viaja em renas voadoras e só entra pela chaminé das casas quando as crianças estão desacordadas. 

Acho que dá para acreditar no Papai Noel que cuida da sua saúde e participa de ações sociais e ecológicas enquanto incentiva jovens e crianças a acreditarem também, não na lenda, mas na realidade e no prazer de praticar um esporte, uma atividade física. No Papai Noel que sabe a importância de manter uma vida saudável, sustentável e  não mede esforços para se divertir com o OUTRO.

Mas falar de Natal não é só Papai Noel.

Muito acima desse personagem, eu acredito no Natal de Jesus Cristo (alguns dizem que Ele foi o primeiro surfista do mundo ao andar por sobre as águas do Mar da Galiléia).

E a profecia da Palavra de Deus que nos faz lembrar o verdadeiro sentido da Celebração do Natal é essa:

"Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso Rei. Ele será chamado de Conselheiro Maravilhoso, Deus Poderoso, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." Isaías 9:6

Feliz Natal!!!

E pode vestir sua fantasia de Papai Noel e vai praticar seu esporte preferido.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Prêmio Paralímpico 2012


Cada vez mais o esporte paralímpico cresce no Brasil.

São diversas ações muito bem coordenadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que estão impulsionando a passos largos (ou largas rodadas) o desenvolvimento do paradesporto no Brasil.

Nos Jogos Paralímpicos de Londres já fomos a 7ª potência mundial, com 43 medalhas no total, sendo 21 de ouro.

Esse post vai ser curto, porque vou ali assistir a premiação que anuncio aqui.

Mas um detalhe hoje me chamou a atenção. Na verdade, ontem e hoje.

Ontem aconteceu a cerimônia do Prêmio Brasil Olímpico, nossos grandes e reconhecidos atletas do vôlei, natação, futebol (esse nem tanto hein?), atletismo, basquete, boxe (esse é novidade)... Mas tão grandioso evento não teve cobertura televisiva ao vivo...

No entanto, hoje, o Prêmio Paralímpicos 2012 conta com uma ampla cobertura de uma emissora de tv fechada que cada vez mais tem incentivado o Paradesporto, vejam que não estou fazendo publicidade nem recebendo nada em troca. Mas tentando fazer justiça a quem, claro tem interesses próprios, mas cumpre um papel importante.


Parabéns ao Comitê Paralímpico Brasileiro!
Parabéns ao canal Sportv!

E muitos parabéns aos nossos paratletas...
"Queremos mais, muito mais!"