quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Recreação, lazer e educação (ou a falta dela)!

Quem ficou em Brasília no Carnaval parece não ter se arrependido... Eu particularmente não fui em nenhum bloquinho, nenhum clube ou festa. Mas o que se ouvia por aqui foi quanto ao sucesso do Carnaval na capital federal.

A cidade estava repleta. Em todos os lugares tinha muita gente. Nos parques, na Água Mineral, no Lago Paranoá, nos clubes e nas festas... ah, principalmente nas festas!

Ontem estava conversando com um amigo e ele contava que teve programação de sexta-feira à noite até ontem a noite, sem parar. E que ele quase não sentiu falta do Carnaval do Rio de Janeiro.

Mas, ainda mais legal que isso, percebi ao conversar com uma amiga hoje enquanto corria no Parque da Cidade. Ela relatava que passou o Carnaval com os filhos (realmente eu vi várias fotos dela com a criançada no facebook) e que não faltou programação para os pequenos. Mesmo em bloquinhos de rua, ela encontrou um ambiente agradável e seguro para curtir com a criançada fantasiada. Assim como muitos outros pais e mães...
Ponto positivo para nossa cidade!

E pelo que ouvi nas rádios e nos jornais, esse ano pode ser um marco do Carnaval de Brasília... Fiquei imaginando que daqui uns anos vai ter gente vindo do Brasil inteiro para curtir os blocos de rua na nossa cidade.

Um dos locais preferidos e mais utilizados nesses dias foi o Eixão. Um espaço amplo, de fácil acesso e com grama e árvores muito próximo. Teve trio elétrico, bandinha, camelôs e muita, muita gente!! Ao que me consta, diversos pontos do Eixão foram pontos de encontro e partida de alguns blocos de carnaval.

Sou muito fã do Eixão do Lazer, programa de incentivo à recreação e lazer do brasiliense que ocorre todos os domingos. Certamente que esse programa poderia ser melhor estruturado, mas o fato de liberar nossa grande avenida para a população caminhar, pedalar, patinar ou até mesmo não fazer nada é sensacional!

Do mesmo modo que não vejo problema algum em utilizar esse espaço para outros eventos, tais como corridas, shows e carnaval. No entanto, fico profundamente triste com o que vejo após esses grandes eventos.

Na segunda-feira fui pedalar no Eixão e fiquei muito assustado com o odor fétido (cheiro de mijo mesmo!!!) e a quantidade de lixo ao longo da pista. E, para piorar, grande parte desse lixo eram pedaços de garrafas de vidro quebradas.

Sinceramente não acredito que a população brasiliense não tenha capacidade de brincar seu carnaval sem deixar um rastro tão nocivo de lixo. Será que as crianças que estão aprendendo a pular um carnaval de forma segura e divertida também estão aprendendo tais práticas?

Enquanto pedalava eu tive medo de avariar minha bicicleta com a quantidade de vidro no chão. E sabia também que no dia seguinte, terça-feira de carnaval, o Eixão seria novamente fechado para mais um dia de lazer e festa. Naquele mesmo chão repleto de sujeira muitas famílias levariam suas crianças para aprender a andar de bicicleta, outros arriscariam um passeio de patins... Mas rodeados de lixo e vidro!

Eu pensei que a música do xixi que a Rede Globo veiculou semana passada fosse completamente desnecessária! Na verdade ainda acredito que seja... Mas parece ao mesmo tempo ser um lembrete necessário a um povo que reclama por seus direitos, que têm educação e cultura de sobra, mas insiste em aproveitar ao máximo sem preocupar-se com alguns limites.

Enfim! Parabéns ao povo de Brasília que curtiu o Carnaval fazendo uma festa bonita e saudável... Mas da próxima vez, vamos cuidar do que é nosso, com mais cuidado!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Carnaval é pra brincar, se divertir e se cuidar!

Já estamos acompanhando nas redes sociais as diversas fotos de praia, de blocos de carnaval, de aglomerados de pessoas felizes, cantando, dançando e namorando. Só não gosta de ver essas fotos quem hoje está se preparando para um concurso e vai passar o feriado estudando, ou quem é mãe recente e vai ficar cuidando do seu pimpolho, ou ainda quem está de plantão no trabalho (esses são os mais prejudicados não?).

Mas de modo geral o povo brasileiro já saiu às ruas para celebrar dias de festa e curtição.

O interessante é que vemos muitos amigos, colegas e conhecidos que são extremamente zelosos com sua saúde, com seus relacionamentos durante o ano inteiro mas parecem perder a linha nesses 5 a 10 dias de festa.

É mesmo necessário deixar de se cuidar para aproveitar ao máximo o Carnaval?

Aqui vão algumas dicas para ninguém perder a forma ou perder a saúde!

1. Para quem mora em Brasília, você pode esquecer essas coisas de festa, bloquinho, desfile no Sambódromo ou trio elétrico no Eixão e se planejar para participar de treinos super divertidos e intensos com o Projeto CorreNadaPedala! São 4 dias com programação variada em horários e modalidades. Pra essa galera, Carnaval é CarnaTreino!

2. Tem um problema... você não é de Brasília mas ficou super empolgado em trocar a baladinha de Carnaval por programas totalmente saúde! Aproveita a dica da galera da O2 e embarca na onda dos treinos fortes e puxados com direito a bastante tempo de descanso:

"Abadá de corredor é camiseta de prova".
Mas, sinceramente... Acho que não estou alcançando a galera que está afim mesmo de festejar na rua, na praia, no sambódromo. Acredito até que deve ter gente dando risada das sugestões acima. Ou pior, que já desistiu de ler o post!

Vamos lá então. Para você que já está embarcando no aeroporto, já recebeu seus abadás em casa, já colocou as fantasias na mala e está todo faceiro mandando fotinhas no facebook pra matar seus amigos de inveja, tome alguns cuidados essenciais para que seja a Quarta-Feira e não você que se transforme em cinzas.

1. A mais importante de todas, sem dúvida alguma: Faça como a Branca de Neve! Beba água... muita água... o tempo inteiro! Infelizmente eu sei que muitos de vocês vão acabar fazendo mais uso de alcóol do que o devido. E por esse motivo mesmo torna-se fundamental a ingesta hídrica exagerada.
Ah, e depois de beber muita água, aprenda com os globais e artistas de renome. Eles aparecem nesse hit de sucesso da Galinha Pintadinha ensinando o local correto para fazer xixi... O que? Não é da Galinha Pintadinha?? ops...
2. Já que falamos de álcool, quem sabe ler já sabe também os terríveis problemas causados por um copo a mais de cerveja, por uma mistura de bebidas alcóolicas. Parece que é falar para criança, mas faça uso com moderação!
3. E por favor... Se beber, não dirija. Mas nem um pouquinho... Isso é cuidar de si e cuidar dos outros!
4. Cuida da alimentação. Não importa onde você vai curtir seu Carnaval: se vai sair pra rua e fazer festa, é ponto comum que provavelmente você nem vai pensar em ter fome e com certeza vai passar de 4 a 8 horas sem comer nada!

Aproveita o tempo que estiver em casa ou no hotel para fazer uma refeição leve mas caprichada. Coloca na bolsa ou no bolso da sua fantasia uma barra de cereais, frutas secas. Fique atento ao horário para não passar mais de 3 horas sem uma refeição. Carboidratos e até uma gordura saudável podem ser importantes nesses dias para promover energia e saciedade.
3. As agências de previsão meteorológica afirmam que o Carnaval no Brasil vai ser de SOL e calor! Excelente notícia hein? Mas para não virar um pimentão nem ter problemas com insolação, use protetor solar.
4. Descanse!!! A vontade é não parar quando o trio elétrico passar? Curte esse momento, mas separa umas horinhas para tirar um cochilo ou dormir profundamente no mínimo 6 horas por dia.
5. E se vai namorar... Faz isso direito! Que nem homem e não como moleque (sem trocadilhos).

No mais, um excelente Carnaval para todos, independente de onde você vá!

E confere nossa fanpage durante esses dias, certeza que vai ter sempre algo interessante sobre esportes por lá.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Iniciação Paradesportiva


Não gosto de começar um texto com uma pergunta e até mesmo por esse motivo iniciei expressando minha opinião sobre isso. Mas o que penso e quero escrever aqui hoje é a resposta para uma pergunta que venho me fazendo: qual o local onde ocorre a iniciação ao paradesporto?

De antemão preciso afirmar que não tenho a menor dúvida que deve ser incentivada a aprendizagem às atividades físicas adaptadas no âmbito escolar (caso tenho lido o post Inclusão Reversa, já sabe que defendo essa prática escolar de forma as inclusiva as possible). Nem tenho como afirmar contrariamente, pois conheço bem a necessidade de  fomentar a ocorrência dessa prática na escola, pois diversas crianças com paralisia cerebral, espinha bífida, amputações congênitas e outras deficiências da infância podem se beneficiar amplamente em suas vidas a partir dessa oportunidade. O paradesporte, ou ainda melhor, a prática corporal escolar adaptada privilegiando a co-participação e a co-vivência tem implicações positivas e amplas para todos aqueles que a praticam.

Essas considerações, contudo, não respondem de forma clara a pergunta, apesar de aparentemente apresentarem uma direção muito clara. E talvez essa seja a origem dos enganos quando se acredita, incentiva-se e financia-se o paradesporto escolar crendo que a escola seja o grande celeiro de paratletas.

Fazer pesquisa de atletas medalhística olímpicos nos Jogos de Londres, classificações de natação e atletismo especifica para paralisia cerebral, esportes como futebol 7 e entender as deficiências visuais.
Mesmo considerando que algumas modalidades sejam predominantes de atletas com deficiência congênita ou doenças da infância, esses atletas provavelmente também já passaram por centros ou clinicas de reabilitação. A escolas têm pouco preparo técnico, material e humano para realizar essa iniciação e a detecção de talentos. Os centros de reabilitação poderiam estar mais preparados...

Um levantamento realizando em um centro de reabilitação, publicado nos anais do III Congresso Paralímpico (documento em pdf na pasta Blog Guigo)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Quem sabe fala sobre: Condromalácia



Hoje é dia de abrirmos mais uma seção em nosso blog: Quem sabe fala sobre!

E a nossa convidada é a Dra. Ana Carolina Ramos e Côrte, médica do Esporte de Alto Rendimento do Esporte Clube Pinheiros.
Dra. Ana Carolina e seu atleta de natação, Bruno Fratus
(campeão panamericano e 4º colocado nos Jogos Olímpicos de Londres 2012)
O tema de hoje, foi solicitado por uma de nossas leitoras em nossa fanpage e trata de um problema que preocupa muita gente: a Condromalácia Patelar.
Com vocês, Dra. Ana Carolina:

Quantas vezes você já ouviu pessoas dizerem que tem uma doença chamada condromalácia?

Pois para começar, a condromalácia é um diagnóstico realizado por imagem e não um diagnóstico clínico.

A condromalácia é uma descrição do resultado de um exame de imagem onde existe uma lesão de cartilagem podendo ocorrer em diferentes graus.

Já a queixa clínica de dor anterior no joelho está relacionada ao diagnóstico de Síndrome Femoropatelar. Portanto, a condromalácia quando encontrada, confirma o diagnóstico de Síndrome Femoropatelar.

A Síndrome Femoropatelar está entre os principais diagnósticos de dor no joelho de aparecimento crônico (aquele que não é súbito). Acomete desde jovens atletas a idosos, e está relacionada a uma lesão da cartilagem articular que proporciona uma liberação de substâncias químicas e alterações mecânicas que levam a uma irritação sinovial causando a dor. Além da dor, outros sintomas podem fazer parte da queixa do paciente como estalidos ou discreto edema no joelho.
Os principais fatores envolvidos na causa da Síndrome Femoropatelar estão relacionadas à biomecânica do paciente. Assim, pacientes que naturalmente apresentam maior rotação medial do fêmur, maior joelho valgo, mau alinhamento da patela e flexibilidade inadequada estão mais propensos a desenvolver a síndrome.

O tratamento desta síndrome está baseado na eliminação dos sintomas com medidas analgésicas, medicamentosas e/ou fisioterápicas e correção da biomecânica, a partir de exercícios de fortalecimento.

Pra você que eventualmente queixa-se de dor na região anterior do joelho, especialmente ao subir e descer escadas, que já percebeu estalidos ao fletir e estender os joelhos, aproveite para evitar dores piores no futuro e comece a prevenção da Síndrome Femoropatelar.
Esta prevenção está baseada em exercícios de fortalecimento específicos para o joelho e medidas de diminuição da sobrecarga articular como, por exemplo, o emagrecimento.

Procure profissionais especializados, como médico do esporte e fisioterapeuta.
Para prevenir, procure um professor de Educação Física!

* Dra. Ana Carolina é formada em medicina do esporte pelo HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), Médica do Esporte de Alto Rendimento do Esporte Clube Pinheiros e Doutorado em Ciências Médicas pelo HCFMUSP.
Contato: anacarolinacorte@gmail.com

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Inclusão Reversa na Corrida de Reis

Aconteceu neste fim de semana a 43ª Corrida de Reis, em Brasília! O Evento contou com a participação de quase 12.000 corredores. Apesar da chuva que choveu (o pleonasmo vale pela quantidade de chuva), a linha de largada estava em festa, muitos participantes e muito público... mas muita água.

Mas como cheguei aqui?

Bem, duas semana antes, decidi solicitar minha inscrição na prova. Mas não queria correr,  e sim participar com minha handbike. Tudo bem, handbike não é específica para provas de corrida, deveria ser utilizada em provas de ParaCiclismo. Não custava tentar...

Na verdade as inscrições haviam se encerrado pois não tinham mais vagas. Ainda assim,  enviei uma correspondência eletrônica para a organização do evento com o seguinte pedido:

"Gostaria de participar de um evento tradicional de uma forma prazerosa, mostrando que a deficiência pode ser encarada de uma forma muito natural e que os instrumentos que os deficientes utilizam podem ser utilizados por qualquer um, com grande prazer e benefícios. A isso chamo de inclusão reversa."

Claro que expliquei que eu mesmo não era deficiente e que por esse motivo não iria concorrer à premiação (como se eu tivesse chance!). Apesar da demora na resposta, creio que eles devem ter refletido bastante sobre meu pedido, recebi uma afirmativa da organização faltando apenas 3 dias para a prova.

E lá fui eu buscar meu kit e preparar a handbike. Na entrega do kit começaram as situações engraçadas e inusitadas. O atendente que iria fazer minha inscrição demorou alguns minutos e buscou ajuda para saber se me inscrevia na categoria cadeirante, sendo que eu não sou cadeirante; ou na categoria regular mas para utilizar um implemento da categoria cadeirante. A questão era: quem deveria ser inscrito, a handbike ou eu?

Por fim, fomos inscritos eu e minha handbike na categoria cadeirante, como eu acreditava que deveria ser...

Confesso que no dia quase desisti diante de tanta água, pois estava receoso em pedalar no chão molhado. Mas pouco antes da prova a chuva cessou e foi o suficiente para que eu saísse de casa rumo ao Estádio Mané Garrincha, local da largada. Ledo engano... Estacionei o carro, desci a handbike e enquanto me dirigia à área de aquecimento, a chuva voltou como sempre nesses últimos dias em Brasília. Tudo bem!

Enquanto aquecia, encontrei a campeã da São Silvestre, Aline Rocha. Fiquei muito feliz quando ela confirmou sua participação na prova, pois fui em quem, ao saber que ela estaria em Brasília no dia da Corrida de Reis, dei toda orientação para ela tentar a inscrição. Enfim, iríamos correr juntos.
Acredito que na ansiedade pela corrida eu cheguei um pouco mais cedo. E somente depois de cerca de 20 a 30 minutos que foram chegando outros cadeirantes e atletas da categoria adaptada (nossa largada seria 10 minutos antes da largada geral).

Em meio a todos que chegavam, eu era o cara novo! O atleta desconhecido... Sinceramente estava um tanto quanto desconfortável, com receio inclusive de mexer a perna ou me levantar e as pessoas da categoria adaptada questionarem minha participação. Fundamentalmente, temia não ser aceito! Parece loucura, mas era uma preocupação real: não ser aceito por aqueles que sentem-se rejeitados em diversas situações. 

E assim, eu ficava era quietinho, até mesmo evitando as pessoas. Mas Aline, que ficou perto de mim esse tempo todo, e já era conhecida de muitos por participar dos Circuitos Caixa, rapidamente me apresentava como um "atleta genérico", quebrando qualquer clima que pudesse haver. E no meio dessa galera eu me diverti até o momento da largada.
Quando entramos na área de largada qual foi a minha surpresa ao me deparar com dois atletas do rugby em cadeira de rodas (BSB Quad Rugby), com suas cadeiras de rugby. Para quem não sabe, uma cadeira dessas pode pesar cerca de 15 a 20kg. E seus atletas são, na maioria, tetraplégicos! Coragem pouca hein? Completar 6km e 10km em cadeiras de rugby! Enfim, os caras mostraram que para jogar rubgy tem que ser mesmo casca grossa.

O tempo passava e a concentração e expectativa aumentavam. Enfim, todos perfilados...
E foi dada a largada! Sabe que foi uma decepção. Não sei por qual motivo, a largada da categoria adaptada não é feita com um sinal sonoro como da categoria principal. Um ilustre senhor fez um sinal com o braço... e largamos! Simples assim.

Rapidamente os homens cadeirantes distanciaram-se. Os atletas de rugby ficaram presos na linha de largada, que tinha um desnível. Eu fui acelerando pouco a pouco e logo alcancei as mulheres e alguns homens, mas o pelotão de frente já estava "inalcançável", ou seja, longe mesmo!

O percurso da Corrida de Reis é mais ou menos assim: 600 metros de subida, 100 metros plano, descida, descida, descida, descida... até quase os 6km de prova! E então, subida, até o final.

Creio que a organização da prova nunca fez esse percurso sobre rodas. Na descida, o atleta poderia até deixar na "banguela". Fiz força e alcancei a velocidade de quase 60km/h em alguns trechos. Na subida... bem, na subida não existia a chance de parar de pedalar por um segundo para descansar os braços. Claro que eu não sou altamente treinado e capacitado para fazer força com os braços, mas acredito que um percurso com trechos mais planos ou alternando entre subidas e descidas seria mais desafiador de modo geral. Enfim, minha leiga opinião!

Altamente positivo no percurso dessa prova, assim como de várias outras em Brasília, são os monumentos e a beleza da cidade.
Durante quase toda a prova, estive sozinho. Deixei para trás alguns atletas cadeirantes logo no início. E depois não via mais ninguém. Os outros estavam muito na frente. No entanto, já na subida, e próximo ao Teatro Nacional, comecei a me aproximar de mais um cadeirante. Eu todo empolgado com meu desempenho acelerei e ultrapassei... Mas ele tinha um pneu furado e quase não rodava mais. Só por isso passei na frente dele! Tanto que ainda deu tempo pra tirar uma fotinha!
Logo após a subida da Rodoviária fui ultrapassado pelos líderes da categoria Elite. Quase não deu tempo para tirar a foto. Os irmãos gêmeos voavam para ganhar a prova!
E eu rodava, com muito, mas muito esforço, até enfim alcançar a linha de chegada.

Aqui cabe um comentário que não havia feito ainda, apesar de já ter percebido desde o começo uma grande diferença do olhar dos outros.

Tenho um contato próximo com a galera cadeirante e deficiente desde o ano de 2003. Uma queixa constante de mães, crianças, jovens e adultos, é quanto ao olhar da sociedade para com eles. Diziam que percebiam um olhar de pena que os incomodava!

Senti isso desde o começo. Não considero que seja um absurdo e até mesmo compreendo esses olhares. Mas creio que são olhares causados pelo desconhecimento. Mas que realmente também me incomodavam...

Ao aproximar-me da linha de chegada, um grande público esperava os atletas. Claro que ninguém sequer imaginava que eu não seria deficiente. E minha passagem causava uma grande comoção nas pessoas. Inicialmente aquela situação mexeu comigo, como se eu fosse uma fraude! Mas diante da força que eu fazia e da tremenda dificuldade em completar a prova, tomei aqueles gritos de incentivo e aplausos de reconhecimento para mim, não pela "pena" de ser um provável deficiente, mas pela certeza de estar concluindo um desafio proposto. E pronto! Como deve ser com qualquer um e com todos de nós.
Ao final, completei os 10km em 33 minutos. Fiquei em 4º colocado na categoria cadeirante!

E apesar de já ter concluído outras provas de 10km, 21km correndo, confesso que fui mais desafiado em minha condição física ao pedalar com as mãos. Não foi fácil, ao mesmo tempo que foi muito legal competir com uma handbike. 

E valeu a medalha...
Ah, a Aline Rocha, faturou mais um título e já afirmou que ano que vem volta para defender sua condição de campeã da Corrida de Reis.

Quem sabe eu volto também... Alguém mais anima?